Comportamento 01/10/2021 12:00
Prefere uma vida calma ou agitada? Saiba o que pessoas de 116 países escolheram
Na América Latina, 82% dos entrevistados escolheram levar uma vida calma; pandemia podem ter contribuído para alta de participantes preferindo a tranquilidade

Com muitas pessoas em todo o mundo dizendo que optariam por desacelerarem suas rotinas para apreciar mais a vida, viver de forma agitada já não é mais tão fascinante.
Segundo uma pesquisa da Gallup, empresa de pesquisa de opinião dos Estados Unidos, 72% dos adultos preferem levar uma vida calma a uma vida agitada. A pesquisa foi realizada em 2020 e divulgada nesta quinta-feira (30), em parceria com fundação Wellbeing for Planet Earth.
Os resultados foram classificados de acordo com as regiões com maior porcentagem de participantes que disseram preferir uma vida tranquila.
O Leste Asiático ficou em primeiro lugar, com 85% dos entrevistados escolhendo uma tranquila. A América Latina ficou em segundo lugar com 82%; os EUA e o Canadá tem 75% dos entrevistados preferindo uma vida calma; Austrália e Nova Zelândia têm 73%; a Europa Oriental relatou 71% e a Europa Ocidental 68%.
A pandemia criou uma atmosfera de estresse e ansiedade sem precedentes, o que pode ter contribuído para a alta porcentagem de participantes preferindo a tranquilidade, disse Tim Lomas, pesquisador sênior do Wellbeing for Planet Earth e colaborador do estudo.
“A noção de sair por aí e tentar algo emocionante parece carregada de riscos”, disse Lomas.
À medida que as pessoas buscam estabilidade, muitas vezes elas se voltam para emoções que as fazem sentir-se firmes, disse William Van Gordon, professor associado de psicologia da Universidade de Derby, no Reino Unido. Ele não participou da pesquisa.
Embora a pesquisa não tenha analisado por quais motivos algumas regiões têm classificação mais alta do que outras, Van Gordon acredita que as finanças podem ser um fator.
Um número maior de pessoas em países do Leste Asiático como Japão e Coreia, onde os participantes preferiam a calma, provavelmente experimentaram riquezas materiais, que podem trazer conforto, mas às vezes à custa da tranquilidade, analisou Van Gordon.
O Sul da Ásia teve a menor porcentagem de participantes que preferem a tranquilidade, com 56%. Os países desta região, como Paquistão e Índia, têm mais famílias de baixa e média renda, e “é provável que haja mais valor atribuído à emoção, ao esforço e aos benefícios percebidos que ela pode trazer”, explicou Van Gordon.
Pelo menos mil pessoas foram entrevistadas de cada um dos 116 países e territórios incluídos na análise.
Os participantes tiveram a opção de dizer que preferem uma vida tranquila, uma vida agitada – ou uma vida calma e agitada.

É simples dizer que se quer viver uma vida calma, mas isto é um desafio na prática.
No centro de uma vida tranquila estão os relacionamentos gratificantes, diz Alice Boyes, ex-psicóloga clínica e autora do livro “The Anxiety Toolkit” (“Kit de ferramentas contra a ansiedade”, em tradução livre), que não participou da pesquisa.
Para ela, é crucial formar e cultivar relacionamentos íntimos com pessoas que são emocionalmente sólidas.
Pessoas com essa personalidade podem fornecer “uma base estável para sua própria exploração de mundo como indivíduo e um refúgio seguro para onde você voltar quando precisar de calma”, acrescentou.
A estabilidade também desempenha um papel importante na calma. Para isso, as pessoas também devem seguir rotinas saudáveis de sono, alimentação, exercícios e muito mais, recomenda Boyes.
Praticar a respiração consciente pode colocar a sua mente no momento presente. Van Gordon recomenda que as pessoas parem pelo menos três vezes ao longo do dia e se concentrassem em inspirar e expirar por cinco minutos.
Excitação é uma emoção de curta duração que depende do que está acontecendo externamente com você, como quando você está andando em uma montanha-russa, disse Van Gordon.
“A calma, por outro lado, é algo que pode ser cultivado independentemente do que esteja acontecendo externamente”, disse ele.
As duas emoções não são mutuamente exclusivas e podem se complementar quando se vive uma vida tranquila.

“O momento presente está cheio de coisas emocionantes e maravilhosas, que podem ser desfrutadas ainda mais plenamente por uma mente que está presente e calma o suficiente para observá-las”, disse Van Gordon.
(Este texto é uma tradução. Para ler o original, em inglês, clique aqui)

Descrição Jornalista
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