Crianças 18/02/2022 10:00
“Meu bebê morreu após engolir uma bateria”
Exames posteriores mostraram que havia um buraco do tamanho de uma moeda de 5 centavos em seu coração - e que provavelmente foi causado por engolir uma bateria achatada que se alojou em seu esôfago.

Seu pai, também chamado Hugh McMahon, contou à BBC como foi a última vez que colocou o filho na cama. Era véspera de Natal e Hugh havia chegado à sua casa na cidade Motherwell, na Escócia, trazendo presentes comprados de última hora.
Ele subiu as escadas, gentilmente colocou seu filho no berço e lhe desejou boa noite. Hugh então se juntou à sua parceira Christine McDonald e seus outros três filhos para embrulhar presentes e beber chocolate quente.
Horas depois, o casal encontrou o filho mais novo deitado de costas, olhando para o teto, com um estranho ruído vindo de seu peito.
“Ele respirava com dificuldade e estava perdendo a cor”, diz Hugh. “Seu corpo estava falhando – nós entramos em pânico, ligamos para uma ambulância e os paramédicos lhe deram oxigênio.”
O bebê e sua mãe Christine foram levados de ambulância para o Hospital Universitário Wishaw. O pai os seguiu em seu carro.
“Quando cheguei ao hospital, descobri que meu filho estava sendo ressuscitado”, diz Hugh. “Eu fiquei destruído. Aconteceu tão rápido e parecia que ele havia sofrido um grave acidente de carro – ele perdeu muito sangue.”
“Os médicos explicaram que não sabiam de onde vinha o sangramento e disseram que seu sangue estava ácido”.
Hugh disse que eles foram informados de que o bebê teria que ser levado para o Hospital Universitário Queen Elizabeth, em Glasgow, para atendimento especializado – ou ele “quase certamente morreria”.
Exames posteriores mostraram que havia um buraco do tamanho de uma moeda de 5 centavos em seu coração – e que provavelmente foi causado por engolir uma bateria achatada que se alojou em seu esôfago.
Os cirurgiões realizaram uma operação de 12 horas, mas a criança continuou a sangrar e sofreu ferimentos tão graves que somente os aparelhos a mantinham viva.
“Fomos informados de que ele tinha danos cerebrais e que seus órgãos começaram a desligar. Disseram-nos que ele nunca comeria, que seria alimentado por sonda, que sua garganta estava toda queimada”, disse o pai à BBC.
“Ele havia travado uma luta tão dura que exigiu muito de seu corpinho. Nós demos banho, cortamos seu cabelo e passamos o máximo de tempo que podíamos com ele. Então eles desligaram as máquinas.”
O bebê Hugh morreu em 26 de dezembro de 2021. Desde a tragédia, seu pai disse que seus outros filhos estão em “choque completo”, mas a família tem lidado com a situação tentando se manter ocupada.
Hugh disse à BBC que vasculhou a casa deles e encontrou um brinquedo de morder da empresa VTech que era alimentado por três baterias de relógio – e uma delas estava faltando. Ele acredita que esta foi a bateria que seu filho engoliu.
Um porta-voz da VTech disse à BBC que a empresa está “trabalhando com as autoridades relevantes para investigar” o caso. “A segurança do cliente é de extrema importância e levamos esses assuntos muito a sério”, diz a empresa em nota.
Médicos constantemente alertam sobre o risco das baterias para crianças pequenas, dizendo que elas devem ser “tratadas como veneno e mantidas fora do alcance das crianças”.
Hugh e Christine agora lançaram uma petição pedindo que as baterias sejam completamente banidas.
“Essas baterias não estão apenas em brinquedos para bebês – estão em cartões de Natal, canetas, galochas iluminadas. Basta um pouco de borracha cair para elas se soltarem”, diz Hugh.
“É algo que se assemelha a um doce para um bebê. Especialmente se os brinquedos estão com defeito, é como se você entregasse ao seu filho uma arma carregada.”
“Ninguém deveria ter que passar por algo tão horrível como isso”, diz ele. “É algo que te destrói completamente.”
Desde então, a família recebeu apoio da parlamentar Clare Adamson, que criou o grupo interpartidário do Parlamento Escocês sobre prevenção de acidentes e conscientização sobre segurança.
Ela disse que questões sobre baterias de relógio são frequentemente trazidas às reuniões e a história de Hugh deve “galvanizar a ação”.
“As baterias achatadas representam um risco real para as crianças e a conscientização dos pais e cuidadores é essencial. Pode ser uma questão de vida ou morte.”
Deu em BBC

Descrição Jornalista
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