Emprego 18/03/2022 09:47
Desemprego cai a 11,2% em janeiro, mas renda despenca quase 10% em um ano
Mercado de trabalho segue dando sinais de recuperação. Mas indicadores antecedentes apontam para melhora mais lenta do que a ocorrida em 2021

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 11,2% no trimestre encerrado em janeiro de 2022, totalizando 12 milhões de desempregados. É a menor taxa para o período desde 2016. No entanto, em um ano, a renda do trabalhador despencou 9,7%, para R$ 2.489.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e foram divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE.
O resultado do trimestre móvel aponta para uma melhora em relação ao contingente de desempregados. Em 2020, quando a Covid forçou o fechamento do comércio, serviços, e levou à paralisação de fábricas, a taxa de desemprego chegou a 13,8% na média anual.
Em 2021, o índice encerrou em 13,2%. O país fechou o ano com 13,9 milhões de pessoas na fila por um emprego, contingente que ficou estável frente ao ano anterior. Em 2019, a taxa anual de desemprego foi de 12%.
A pesquisa também mostra que cerca de 95,4 milhões de pessoas estavam ocupadas, uma alta de 1,6%. O nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) foi estimado em 55,3%, mais 0,7 ponto percentual frente ao trimestre anterior.
Apesar da trajetória de queda do desemprego, economistas destacam que a recuperação do mercado de trabalho tem ocorrido, principalmente, em vagas informais, de baixa qualidade e menor rendimento.
Na semana passada, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou a criação de 155,2 mil vagas de trabalho com carteira assinada, uma desaceleração em janeiro comparada com o registrado no mesmo mês do ano passado, quando 254,3 mil vagas foram criadas.
O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) do Ibre, da FGV, cedeu 1,4 ponto em fevereiro, para 75,1 pontos. É a quarta queda seguida, levando o índice ao menor nível desde agosto de 2020 (74,8 pontos).
“Os últimos resultados sugerem que a recuperação do mercado de trabalho deve ser mais lenta do que a ocorrida em 2021. O ambiente macroeconômico difícil e potenciais riscos de aumento da incerteza global, não permitem vislumbrar uma mudança na trajetória do indicador no curto prazo”, afirmou Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE, em comentário.
Deu em Exame

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