Curiosidades 18/03/2022 11:29
A descoberta do misterioso sarcófago de chumbo da Notre-Dame de Paris. Quem foi enterrado nele?
Caixão de metal é o mais bem conservado já encontrado no local. Ainda não se sabe quem foi enterrado nele.

A catedral de Notre-Dame sofreu um incêndio em 15 de abril de 2019. Como parte das obras de reconstrução, foram iniciadas escavações para sustentar um andaime com cerca de 100 metros de altura que deve ser instalado no local.
Este trabalho revelou, entre outros objetos, um sarcófago todo feito de chumbo. Veja abaixo algumas perguntas e respostas sobre esse achado:
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Sarcófago de chumbo encontrado na Notre-Dame de Paris data do século século 14 — Foto: Julien de Rosa/AFP
O trabalho de escavação revelou todo um sistema de aquecimento subterrâneo, existente desde o século XIX. Entre as estruturas, feitas de tijolos, foi encontrado o sarcófago, cujo chumbo aparece deformado pelo peso da terra e das pedras.
Os vestígios foram encontrados no ponto onde o corredor central da nave encontra com a estrutura lateral (transepto) da catedral.
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Ministra da Cultura da França Roselyne Bachelot dá entrevista perto de sarcófago de chumbo encontrado na Notre-Dame de Paris — Foto: Julien de Rosa/AFP
Até agora, os arqueólogos conseguiram introduzir uma minicâmera endoscópica dentro do sarcófago de chumbo. Eles conseguiram ver pedaços de tecido, cabelo e uma almofada de folhas por cima de uma cabeça.
“O fato de estes elementos vegetais ainda se encontrarem no interior mostra um estado de conservação muito bom”, disse o arqueólogo responsável pela escavação, Christophe Besnier.
No momento não se sabe de quem poderia ser o corpo, embora a localização sugira que era um personagem importante.
Segundo o arqueólogo responsável, era comum que líderes religiosos fossem enterrados com uma almofada de folhas, como a que foi encontrada dentro do sarcófago.
Além de outros túmulos, o que era esperado, já que a catedral serviu de cemitério no passado, os arqueólogos desenterraram restos de um antigo jubé.
O jubé era uma estrutura feita de pedra, adornado com figuras esculpidas, que servia para separar o coro do resto da igreja.
O da Notre-Dame foi destruído no início do século XVIII e as pedras que os arqueólogos encontraram haviam sido reaproveitadas na mesma obra.
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Arqueólogos trabalham na Notre-Dame — Foto: Julien de Rosa/AFP
Existem outros registros de sarcófagos de chumbo encontrados em numerosas localidades, até bem mais antigos. O site do Metropolitan Museum, de Nova York, indica que no Império Romano, por exemplo, eles eram mais comuns em províncias do leste, como nas áreas onde hoje ficam Síria e Israel. Mas também já foram encontrados em províncias romanas ocidentais, como na Grã-Bretanha, onde os romanos exploravam minas de chumbo.
Em reportagem sobre um destes sepultamentos romanos, a revista “National Geographic” aponta que caixões de chumbo encontrados em toda a Europa abrigavam soldados, membros de elite do cristianismo e até mulheres gladiadoras.
“Na verdade, muitos caixões de chumbo contêm mulheres ou adolescentes de alto escalão em vez de homens”, explica Jenny Hall, curadora de arqueologia romana do Museu de Londres, na reportagem.
O sarcófago encontrado na Notre-Dame não é do Império Romano, é posterior (da Idade Média).
Segundo a enciclopédia Britannica, o chumbo tinha a vantagem de ser facilmente manipulado e oferecer grande resistência a condições climáticas, além de ser um material de baixo custo.
O chumbo era empregado em diversas situações, desde estruturas maiores, como telhados, até pequenos objetos, como broches e medalhas. Em alguns casos, ele era usado inclusive para fingir ser um produto mais rico, imitando produtos feitos de materiais mais nobres.
“A descoberta deste sarcófago nos permitirá entender melhor as práticas e ritos funerários” da Idade Média, explicou Dominique García, presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Arqueológicas.
Não são os primeiros restos humanos encontrados na Notre-Dame, mas nunca haviam encontrado um sarcófago tão bem preservado como esse de chumbo.

Descrição Jornalista
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