Servidores públicos 19/01/2022 07:53
3 finais para a crise dos servidores e as chances de cada um acontecer
Na mais provável hipótese, o governo deve recuar em conceder reajuste já sinalizado para policiais federais, policiais rodoviários federais e agentes penitenciários, dizem os especialistas.

A pressão dos servidores por reajuste salarial tem três finais possíveis, mas um desgaste já contratado pelo governo, avaliam analistas políticos ouvidos pelo Money Times.
Na mais provável hipótese, o governo deve recuar em conceder reajuste já sinalizado para policiais federais, policiais rodoviários federais e agentes penitenciários, dizem os especialistas.
O cientista político e professor da FGV Cláudio Couto lembra que não há espaço fiscal para um aumento dos gastos e diz que um eventual aumento de salário para apenas algumas categorias poderia impulsionar a mobilização dos servidores.
Quanto a segunda hipótese mais provável — de concessão de reajuste aos agentes de segurança e que poderia levar a uma mobilização maior — Fernandes vê um paralelo com a paralisação de 2015, que “criou um grande desgaste” para o governo Dilma.
“Nesse contexto, um movimento forte de protestos seria perigosíssimo, para o governo por conta de uma contaminação com o cenário eleitoral”, comenta.
“Por isso, as forças políticas de mais ‘pé no chão’ têm tentando demover o governo da ideia [de reajuste para algumas categorias]”.
Para o mercado financeiro, a hipótese de o governo conceder reajuste para todas as categorias também é a menos provável, por conta da falta de espaço fiscal e da fragilidade do Executivo, em baixa popularidade.
Para o analista de ações do banco Daycoval Vitor Suzaki, o reajuste para todas as categorias teria um risco grande de judicialização, com impacto “muito significativo na nossa economia, câmbio, juros e dólar”.
Couto, da FGV, diz que se o governo tentar conceder reajuste para todas as categorias “corre o risco de fazer pedalada fiscal e se comprometer do ponto de vista judicial”.
Em comum, as três hipóteses têm um desgaste para o governo federal, avaliam os especialistas. Segundo Fernandes, da Ohmresearch, há um grupo dentro do governo que concluiu que foi um erro prometer reajuste para algumas categorias.
“O governo talvez não tenha se aproveitado dos recursos que tem para prever a mobilização, em meio a uma situação de crise e arrocho para diversas categorias”, comenta o analista. “O governo hoje é seu próprio adversário em uma campanha que é vital, inclusive para a família do presidente”.
O Ministério da Economia e o Banco Central disseram que não devem se pronunciar sobre a paralisação.
Deu em Money Times

Descrição Jornalista
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