Desde esta segunda-feira (2), passam a valer em todo o país as novas regras de segurança do Pix, estabelecidas pelo Banco Central (BC) com o objetivo de reduzir golpes financeiros e aumentar a recuperação de valores transferidos de forma indevida.
As mudanças atingem diretamente bancos, instituições de pagamento e usuários, reforçando o combate a fraudes cada vez mais sofisticadas que exploram a rapidez do sistema de pagamentos instantâneos.
O que é o Mecanismo Especial de Devolução (MED) e por que ele foi reforçado?

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Criado em 2021, o MED é a ferramenta oficial utilizada para contestar Pix realizados em situações de fraude, golpe, coerção ou falha operacional.
Com as novas regras, o mecanismo passa a operar em uma versão mais robusta, capaz de acompanhar o trajeto do dinheiro mesmo quando ele é transferido rapidamente entre várias contas, estratégia comum em crimes financeiros.
Antes, a devolução ficava limitada à conta que recebeu inicialmente o valor. Agora, o sistema permite rastrear contas intermediárias, ampliando significativamente as chances de bloqueio e recuperação dos recursos.
Especialistas em segurança digital estimam que as mudanças podem reduzir em até 40% os golpes bem-sucedidos envolvendo Pix, justamente por dificultar o escoamento rápido do dinheiro.
6 principais mudanças nas regras de segurança do Pix
As atualizações implementadas pelo Banco Central trazem um conjunto de medidas estruturais que impactam diretamente o funcionamento do sistema:
- MED 2.0 obrigatório: todas as instituições que operam o Pix devem adotar a nova versão do mecanismo.
- Rastreamento ampliado do dinheiro: o sistema acompanha o valor mesmo após transferências sucessivas.
- Bloqueio preventivo de contas suspeitas: contas denunciadas podem ser bloqueadas imediatamente, antes do fim da análise.
- Prazo menor para devolução: o BC estima que a restituição possa ocorrer em até 11 dias, tempo inferior ao praticado anteriormente.
- Compartilhamento de informações entre bancos: dados sobre movimentações suspeitas passam a circular entre instituições.
- Contestação por autoatendimento: o usuário pode iniciar o pedido diretamente pelo aplicativo, sem necessidade de atendimento humano.
Quando o MED pode (e quando não pode) ser acionado?
O Banco Central reforça que o MED deve ser utilizado exclusivamente em casos de fraude, tentativa de golpe, coerção ou erro operacional da instituição financeira.
Erros do próprio usuário, como digitar a chave Pix errada ou transferir para o destinatário incorreto, não dão direito à devolução automática pelo mecanismo.
Essa distinção é fundamental para evitar uso indevido da ferramenta e garantir sua eficácia nos casos realmente críticos.
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Em situações de suspeita de fraude, a rapidez é decisiva. O procedimento segue um fluxo padronizado:
- Contestar a transação imediatamente pelo aplicativo ou canais oficiais do banco;
- A instituição de origem notifica o banco recebedor em até 30 minutos;
- Os valores são bloqueados preventivamente na conta suspeita;
- As instituições analisam o caso de forma conjunta;
- Se a fraude for confirmada, o dinheiro é devolvido ao cliente;
- Se não houver indícios, o valor é liberado ao recebedor.
Mais proteção e menos espaço para criminosos
Com o fortalecimento do Mecanismo Especial de Devolução, o Banco Central busca desestimular o uso recorrente de contas laranja, reduzir a reincidência de golpes e ampliar a confiança dos usuários no Pix.
As novas regras representam um avanço relevante na segurança do sistema e reforçam o compromisso com a proteção financeira da população.
Em um cenário de crescimento contínuo dos pagamentos instantâneos, a atualização das normas se mostra essencial para manter o Pix como rápido, eficiente e, sobretudo, seguro.


