Ciência 03/01/2025 14:04
O que revelam as novas pegadas descobertas na “rodovia dos dinossauros” da Inglaterra
Cerca de 200 registros foram fotografados pelos especialistas. Espera-se que o material ajude a responder algumas perguntas sobre como era a vida dos grandes répteis há 166 milhões de anos

Uma equipe de paleontólogos descobriu uma extensa trilha composta por centenas de pegadas de diferentes espécies jurássicas debaixo de uma pedreira na cidade de Oxfordshire, na Inglaterra.
Datada do Período Jurássico Médio (cerca de 166 milhões de anos atrás), a “rodovia dos dinossauros”, como ficou conhecida, poderá ajudar os especialistas a completar algumas lacunas sobre a forma como esses animais interagiam com o meio ambiente, bem como seus semelhantes.
As pegadas estavam enterradas sob lama, mas vieram à tona quando o trabalhador da pedreira Gary Johnson sentiu “solavancos incomuns” quando retirava argila do chão da pedreira com o seu veículo.
A escavação foi conduzida pelas Universidades de Oxford e Birmingham, e contou com a participação de aproximadamente 100 pessoas em junho de 2024. As descobertas, no entanto, foram divulgadas apenas esta semana.
Sugere-se que quatro das cinco trilhas principais tiveram como produtores os saurópodes (dinossauros herbívoros gigantescos, de pescoço longo). Provavelmente, eles pertenciam ao grupo dos cetiosaurus, que mediam em torno de 18 metros de comprimento e pesavam algo entre 10 e 25 toneladas.
Enquanto isso, a última das trilhas teria sido feita por um exemplar de megalossauro, um carnívoro de topo de cadeia, com cerca de 9 metros de comprimento. Essa espécie foi a primeira do mundo a ser cientificamente nomeada e descrita em 1824. Assim, consequentemente, inaugurando o ramo da ciência dos dinossauros.
“Os cientistas conhecem e estudam o megalossauro há mais tempo do que qualquer outro dinossauro na Terra”, afirma Emma Nicholls, uma das pesquisadoras responsáveis pela iniciativa, em comunicado. “Mesmo assim, estas descobertas recentes provam que ainda há novas evidências desses animais por aí, apenas esperando para serem encontradas”.
Conexão entre passado, presente e futuro
As novas trilhas conectam-se a descobertas feitas na área em 1997, quando uma extração de calcário revelou mais de 40 conjuntos de pegadas, com algumas trilhas atingindo até 180 metros de comprimento. Na época, o local forneceu importantes informações sobre os tipos de dinossauros presentes no Reino Unido durante o Jurássico Médio.
Desde então, o sítio foi reconhecido como um dos espaços de pegadas de dinossauros mais importantes cientificamente do mundo e, posteriormente, designado como um Sítio de Interesse Científico Especial. No entanto, o local original não é mais acessível e, como as descobertas são anteriores ao uso de câmeras digitais e drones, há evidências fotográficas limitadas.
Por isso, as novas trilhas aumentam a importância da área. Mesmo que as descobertas estejam separadas por apenas 30 anos, em termos técnicos, as tecnologias modernas permitem que as pegadas sejam registradas de forma mais abrangente do que nunca.
“Há muito mais que podemos aprender com este sítio, que é uma parte importante da nossa herança nacional da Terra”, explica Richard Butler, professor de paleobiologia. “Nossos modelos 3D permitirão que os pesquisadores continuem a estudar e tornar acessível esta fascinante parte do nosso passado para as gerações futuras”.
Nesta nova escavação, mais de 20 mil imagens foram criadas das pegadas. Espera-se que elas forneçam uma riqueza de material para estudo, potencialmente rendendo insights valiosos sobre como esses dinossauros andavam, quão grandes eram e como interagiam com o mundo ao seu redor.
“O estado de preservação é tão detalhado que podemos ver como a lama foi deformada conforme os pés do dinossauro pisavam para dentro e para fora”, destaca Duncan Murdock, coautor do projeto. “Junto com outros fósseis como tocas, conchas e plantas, podemos dar vida ao ambiente de lagoa lamacenta por onde os dinossauros andavam”.

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