Política 29/12/2024 05:54
Antes da conversa entre Lula e Lira, governo enviou sinais trocados sobre liberação de emendas
Controle do Orçamento é foco de tensão entre os dois Poderes desde que petista assumiu o terceiro mandato

Antes da conversa de quinta-feira entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o governo federal enviou sinais trocados sobre a liberação de parte das emendas parlamentares que estão sob o escrutínio do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em meio ao recesso parlamentar, a reunião entre os chefes da casa legislativa e do Executivo foi realizada para debater esses repasses.
O controle do Orçamento é foco de tensão entre os dois Poderes desde que Lula assumiu o terceiro mandato.
Na terça-feira da semana passada, mesmo com informações precárias sobre os autores de emendas de comissão, a Secretaria de Assuntos Jurídicos (SAJ) do Palácio do Planalto deu aval a ofício da Câmara, assinado por 17 líderes, que pedia a liberação de R$ 4,2 bilhões e a redistribuição do montante às bases eleitorais de parlamentares.
O estado que mais ganharia com remanejamento seria Alagoas, reduto de Lira.
Isso ocorreu no momento em que o Congresso se debruçava sobre o pacote econômico enviado por Fernando Haddad (Fazenda). Para destravar as votações na última semana de trabalhos do ano, o governo não hesitou em estar ao lado do Legislativo.
Na segunda-feira, porém, Flávio Dino, do STF, ordenou o bloqueio desses recursos, justamente porque não houve identificação dos autores das emendas, um dos requisitos de transparência cobrados pela Corte desde o fim do chamado Orçamento Secreto.
Outra justificativa levantada por Dino para a suspensão foi a ausência de aprovação pelas comissões temáticas desse remanejamento. Em lei aprovada pelo Congresso com o objetivo de resolver o impasse, há a determinação de que as emendas de comissão só podem ser executadas, entre outros critérios, se houver aval dos colegiados do Congresso.
Após a decisão de Dino, a Advocacia-Geral da União (AGU) decidiu não recorrer para liberar o valor cobrado com Lira. Ou seja, indicou que não deve manter a posição técnica já manifestada pela área do Planalto.
Após reunião com Lula, Lira fez questão trazer à discussão o aval do governo.
— Há tranquilidade de que a Câmara só agiu com base em acordos entre os poderes. Tudo foi submetido à SAJ (Secretaria de Assuntos Jurídicos do Palácio do Planalto) e aos ministérios — disse Lira.
Líderes do governo, porém, ainda não se manifestaram publicamente sobre a posição de Lula.
Governistas também não indicaram, ao menos por enquanto, como o governo deve se manifestar nos autos do processo conduzido por Dino, ex-ministro da Justiça de Lula.
Deu em O Globo

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