Quais palavras médicos nunca devem dizer aos pacientes? Estudo identifica - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Medicina 07/11/2024 14:22

Quais palavras médicos nunca devem dizer aos pacientes? Estudo identifica

Pesquisa destaca a importância da comunicação no preparo dos profissionais da saúde para que eles possam acolher pessoas com doenças graves

Quais palavras médicos nunca devem dizer aos pacientes? Estudo identifica

Pessoas com doenças graves estão mais sensíveis e emocionalmente vulneráveis. Por isso, é necessário que a comunicação entre médico e pacientes seja cuidadosa.

Um estudo publicado em outubro na revista Mayo Clinic Proceedings identificou que tipo de vocabulário não deve ser utilizado por profissionais da saúde.

Segundo a pesquisa, os médicos devem aderir uma “comunicação compassiva” como parte do processo de tratamento. Os autores do estudo destacaram que as palavras never-words (aquelas negativas, como “não” e “nunca”) não devem ser ditas sob nenhuma hipótese.

Utilizando pesquisas clínicas, os cientistas deram os seguintes exemplos de frases que contém never-words:

  • “Não há mais nada que possamos fazer”;
  • “Ela não vai melhorar”;
  • “Retirando cuidado”;
  • “à beira do colapso”;
  • “Você quer que façamos tudo?”;
  • “Luta” ou “batalha” (como “luta contra o câncer”)
  • “Não sei por que você esperou tanto para vir se consultar” e
  • “O que seus outros médicos estavam fazendo/pensando?”

Com isso, o estudo conduzido por pesquisadores da Universidade A&M do Texas, nos Estados Unidos, ajuda os médicos a identificarem as palavras que devem ser evitadas e apresenta opções de linguagem mais adequadas.

“Como pacientes gravemente doentes e suas famílias estão compreensivelmente assustados, eles ‘se penduram’ em cada palavra que seu médico diz”, afirma Leonard Berry, professor de marketing da Universidade A&M do Texas, em comunicado.

“Doença grave não é apenas uma questão de sofrimento físico, mas também emocional. O comportamento do médico, incluindo sua comunicação verbal e não verbal, pode exacerbar ou reduzir o sofrimento emocional.”

O professor observa ainda que frequentemente os médicos se comunicam de uma forma insensível para relatar informações sérias aos pacientes.

Muitas vezes, isso acontece sem que o profissional da saúde perceba que foi ofensivo ou causou um susto desnecessário.

Para os pesquisadores, as never-words são bloqueadoras de conversas e retiram o poder de intervenção dos pacientes, “cujas próprias vozes são essenciais para tomar ótimas decisões sobre seus cuidados médicos”.

Vocabulário para tratar pacientes com câncer

Em um segundo estudo sobre tratamento de câncer, os cientistas questionaram médicos quais frases eles nunca usariam com os pacientes. As principais respostas foram: “Não vamos nos preocupar com isso agora”; “você tem sorte que é apenas o estágio 2” e “você falhou na quimio”.

” ‘Não vamos nos preocupar com isso agora’ não é apenas uma não resposta à preocupação legítima de um paciente, é desdenhoso”, afirmam os pesquisadores. Eles ainda explicam que a fala sobre o câncer em estágio inicial assume que o paciente deveria “se sentir grato” e não é acolhedor para que ele expresse sua ansiedade e medo.

Berry, por sua vez, explica que “os pacientes não falham na quimioterapia: o tratamento que falha com os pacientes”. O pesquisador defende que pessoas com doenças graves e suas famílias possam se sentir psicologicamente seguras ao falar com médicos.

O que os médicos deveriam dizer?

O profissional da saúde deve convidar os pacientes para uma conversa, em que eles tenham espaço para tirar dúvidas. “Algo tão simples como, ‘Que perguntas você tem para mim?’ em vez de, ‘Você tem alguma pergunta?’ convida a uma conversa franca”, diz Berry.

Outra recomendação é não usar a palavra “nunca” ou “não” — e no lugar disso expressar preocupação. Em vez de dizer, por exemplo, “ela não vai melhorar”, uma alterativa é dizer “estou preocupado de que ela não vai melhorar”.

Além disso, as palavras “lutar” e “batalhar” podem colocar pressão nos pacientes e fazerem eles se sentirem como se não estivessem “lutando” o suficiente, como se a solução da doença dependesse de suas ações.

Os médicos podem evitar o uso dessas expressões e dizer: “Enfrentaremos essa doença difícil juntos”, deixando claro que a pessoa não está sozinha e que está tendo ajuda da equipe médica.

“Uma oportunidade fundamental é que os alunos e graduados da faculdade de medicina tenham excelentes comunicadores habilidosos e centrados no paciente”, ele diz.
Deu em Galileu

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista