Economia 30/04/2026 12:12
Setor produtivo alerta que taxa de juros segue restritiva e agrava economia

Entidades do setor produtivo seguem em alerta sobre o patamar restritivo da taxa básica de juros do país, a Selic, mesmo após o corte de quarta-feira (29).
“Ainda é insuficiente”, comentou a CNI (Confederação Nacional da Indústria) em nota após o BC (Banco Central) anunciar a redução dos juros em 0,25 ponto, levando a Selic ao patamar de 14,5%. Segundo a entidade, a “atual taxa de juros agrava situação da economia”.
“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial. Ao mesmo tempo, o endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”, ressalta Ricardo Alban, presidente da entidade.
O executivo defende que o BC intensifique os cortes na Selic a partir da próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que volta a se reunir entre os dias 16 e 17 de junho.
“Uma taxa de juros mais baixa deixou de ser apenas desejável e passou a ser essencial para recuperamos a produtividade e o bem-estar da população brasileira”, completa o presidente da CNI.
A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) destaca que a manutenção de uma política monetária contracionista tende a aprofundar o enfraquecimento da atividade econômica, com impactos negativos sobre a geração de emprego e renda.
O coro é reforçado pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), cuja ressalva é de que, mesmo com a queda da Selic, os juros elevados comprometem a expansão do setor imobiliário e reduzem o ritmo dos investimentos.
“A construção civil, setor estratégico para o desenvolvimento nacional, sente diretamente os efeitos desse cenário. O ambiente de juros elevados compromete a capacidade de expansão do setor e reduz o ritmo dos investimentos necessários para sustentar o crescimento econômico do país”, diz a entidade.
“Embora a inflação continue exigindo atenção, especialmente diante do aumento dos preços de alimentos, transportes e das incertezas geopolíticas internacionais, é fundamental que o país avance gradualmente para um ambiente de juros mais compatível com suas necessidades de desenvolvimento. A continuidade do ciclo de redução da Selic é importante, mas o Brasil precisa acelerar a construção de um cenário macroeconômico que favoreça o investimento, a produção e a competitividade”, pontua.
Porém, a FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) reconhece que o cenário é pressionado para o BC, considerando a guerra no Oriente Médio e a desancoragem das expectativas de inflação.
Além disso, pontua que “há um terceiro elemento em jogo: as contas públicas”.
“Frágeis, sem nenhum tipo de avanço concreto para um controle estrutural e com despesas obrigatórias em franco crescimento, exigem que o BC tenha algum manejo, o que acontece por meio de juros altos. Na verdade, está claro que o órgão só terá uma postura mais forte de aprofundar o ciclo de cortes da Selic quando o governo tiver o compromisso claro de promover equilíbrio fiscal”, indica a entidade do varejo em nota.
A percepção é pessimista: considerando o ano eleitoral em vista, a FecomercioSP alerta para o aumento dos gastos públicos e, consequentemente, uma “taxa Selic alta por mais tempo do que o mercado esperava, terminando o ano na casa dos 13%”.
Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) crava em uma nota sucinta à imprensa: “trata-se de um cenário insustentável”.

Descrição Jornalista
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