A pesquisa também segmentou o dado por classe social e geração. Quase metade (48%) da classe D/E disse não ter reserva financeira. Esse percentual diminui para 30% quando a amostra é entre brasileiros da classe C e para 13% entre aqueles que estão nas classes A e B.
Entre as gerações, a X (nascidos entre 1965 e 1980) é a que lidera em falta de reservas –37% dos seus integrantes afirmaram não guardar nada. Os millennials (entre 1981 e 1996) vêm logo atrás, com 28%. Já a geração Z (entre 1997 e 2012) e os boomers (de 1946 a 1964) aparecem empatados na faixa mais baixa, com 17% cada uma.
“É importante fazer um recorte sobre a geração Z, que tem bandas em pontos extremos. Tem gente começando a faculdade, com uma independência financeira mínima, e tem gente já trabalhando e juntando dinheiro”, disse Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, em entrevista.
A importância de manter uma reserva de emergência é salientada por especialistas como um dos primeiros passos para quem quer ter uma vida financeira mais organizada. O volume desse colchão depende do perfil de cada pessoa.
O ideal é poupar o equivalente a cerca de seis meses de despesas fixas para não passar aperto em imprevistos, desde um reparo doméstico até uma demissão.
A pesquisa também questionou os entrevistados sobre quais são os principais produtos financeiros utilizados. A caderneta de poupança lidera: 22% da população disse manter o investimento e 20% planeja continuar usando nos próximos anos.
Títulos privados e fundos de investimento vêm em seguida, com 7% e 5%, respectivamente. Ações, títulos públicos e previdência privada estão no final do ranking, com 2% cada um.
A pesquisa ainda revela algo curioso: para o brasileiro, economizar, investir e investir em produtos financeiros não são a mesma coisa. Em 2025, 33% disseram ter economizado, 24% afirmaram ter investido, mas apenas 10% relataram aplicar dinheiro em produtos financeiros.
A diferença faz sentido quando se entende como o brasileiro define investimento. Para muitos, trata-se de “tudo aquilo em que coloco meu dinheiro esperando algum retorno”, diz Billi, o que inclui procedimentos estéticos, educação dos filhos, viagens, carros e imóveis.
Como a pesquisa adota respostas espontâneas, sem induzir o entrevistado a escolher entre opções, essa distinção fica evidente nos números.
Restringindo o olhar apenas aos produtos financeiros, Anbima e Datafolha contabilizam cerca de 60,6 milhões de investidores no país, cerca de 36% da população –e a projeção para este ano é que outros 8,7 milhões passem a investir.
Deu em Folha de São Paulo/Jornal de Brasília


