Ditadura 22/04/2026 12:18
Presidente de Cuba diz que não teme guerra com os Estados Unidos

Sob o peso de apagões, escassez de combustível, endurecimento das sanções dos Estados Unidos e ameaças de Donald Trump, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reafirma sua disposição ao diálogo, mas, ao mesmo tempo, insiste na necessidade de se preparar para possíveis agressões externas.
“Nas condições atuais, é possível que tentem agredir Cuba. Devemos nos preparar para que não haja surpresa nem derrota”, afirmou ao site Opera Mundi em entrevista publicada nesta terça-feira, 21. No último dia 13, Trump ameaçou a ilha. “Talvez passemos por Cuba depois de terminarmos com o Irã”, disse o presidente norte-americano.
Na entrevista, o líder cubano destaca que a preparação militar não tem caráter ofensivo. “Não promovemos a guerra, não a estimulamos, mas não a tememos se for necessário defender a Revolução, a soberania e a independência do país”.
Na segunda-feira, 20, um alto diplomata do Ministério das Relações Exteriores cubano afirmou a um veículo oficial da ilha que autoridades do país mantiveram conversas com representantes dos Estados Unidos. O líder cubano enfatizou que as negociações ainda estão em “estágio inicial”.
Desde janeiro, a administração Trump tem aplicado uma política de máxima pressão contra a ilha, exigindo mudanças e o corte das importações de petróleo no país.
Na entrevista, Díaz-Canel aborda a importância do apoio internacional diante dessa situação, com destaque para a atuação do Brasil. O presidente classifica o País como “uma nação irmã” e elogia a atuação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva na denúncia do bloqueio.
“Recebemos apoio tanto do governo quanto do povo brasileiro e de seus movimentos sociais”, afirma, citando doações vindas de organizações como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
O apoio brasileiro se soma ao de países como China, Colômbia, México e Rússia, que enviam alimentos, insumos e suporte energético. Organizações internacionais também mobilizam recursos e ações solidárias.
“Praticamente, o que geramos é suficiente apenas para garantir um nível mínimo de energia elétrica para as atividades essenciais da vida cotidiana”, explica.
Ele relata episódios extremos, como “momentos de 30 horas consecutivas de apagão em uma comunidade”, que afetam desde o trabalho até a educação e a saúde. “Temos uma lista de mais de 96 mil pessoas aguardando procedimentos, entre elas mais de 11 mil crianças”.
De acordo com Díaz-Canel, as atividades escolares foram reorganizadas na ilha, com menos aulas presenciais e mais a distância. Mesmo assim, a saída é limitada. Durante os apagões, as conexões são interrompidas, o que dificulta o acesso a plataformas didáticas.
“É uma política criminosa, realmente genocida. Tudo se complica: o transporte, o abastecimento de água – já que, sem energia, os sistemas de bombeamento são interrompidos – e os ciclos de distribuição se prolongam”.

Descrição Jornalista
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