Os psicólogos são unânimes em relação às pessoas que não respondem nos grupos do WhatsApp: Elas limitam sua participação para proteger sua tranquilidade - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Psicologia 09/09/2026 17:28

Os psicólogos são unânimes em relação às pessoas que não respondem nos grupos do WhatsApp: Elas limitam sua participação para proteger sua tranquilidade

Os psicólogos são unânimes em relação às pessoas que não respondem nos grupos do WhatsApp: Elas limitam sua participação para proteger sua tranquilidade

grupo com as amigas de toda a vida. O que você tem com a sua família. O de ex-alunos da escola, o grupo de tênis e o do condomínio. O grupo com os colegas de trabalho, o que você criou naquela viagem e mais um grupo das mães da escola dos seus filhos.

Ou, se você não tem filhos, o grupo do clube de leitura, o dos primos ou aquele que alguém criou na última despedida de solteira em que você foi.

Fazemos parte, em média, de 83 conversas em grupo diferentes, e algumas delas são muito ativas. Pode ser que você esteja no grupo de pessoas que participam, ou que seja do segundo grupo: aquele setor que observa, cala e não participa.

Isso não significa que você não goste das pessoas do grupo do WhatsApp, ou que não participe por desprezo. É bem provável que seja uma forma de autocuidado e respeito.

O que realmente significa não responder nos grupos de WhatsApp

Leticia Martín Enjuto, psicóloga, afirma que “há quem presuma que a pessoa está com raiva, que não se interessa pela conversa ou que simplesmente ignora os demais”, mas, como explica a psicóloga Rebeca Cáceres, “pensar ‘está me ignorando’ ou ‘não se importa comigo’ responde mais à nossa interpretação emocional do que à intenção real da outra pessoa”.

Manter-se em silêncio dentro de um grupo de WhatsApp também pode ser uma forma de bem-estar emocional e autocuidado porque “há pessoas que não se sentem confortáveis se expressando em espaços digitais”, explicava. “É uma forma de respeito consigo mesmo, porque implica agir em coerência com os próprios valores, gostos e formas de estar no mundo.”

Martín afirmava que “os especialistas em saúde mental apontam que a exposição constante a notificações e conversas pode gerar uma sensação de saturação mental, e algumas pessoas optam por limitar sua participação para proteger sua tranquilidade”.

A ciência já demonstrou que o uso intensivo de mensageria instantânea está associado à sobrecarga de informação e comunicação, fadiga e tecnoestresse. Por sua vez, essa fadiga e esse estresse podem ser preditores de certos comportamentos passivos ou até mesmo do “lurking” (o ato de acompanhar sem interagir).

“Assim como algumas pessoas precisam de momentos de descanso físico, outras necessitam de pausas sociais para recuperar energia. Reduzir a interação digital permite que elas mantenham um melhor equilíbrio emocional e evitem o esgotamento que a hiperconectividade pode provocar”, afirmava Martín.

Na verdade, esse “lurking” ou o fato de não participar ativamente é interpretado em vários estudos como uma forma de enfrentamento diante da sobrecarga e da fadiga; portanto, não se trata de rejeição, mas sim de autocuidado.

Pode ser que você pense que, se um grupo gera fadiga em alguém, o lógico seria sair dele, mas Sarah Buglass, professora de psicologia social, sugeriu ao “The Independent” que há pessoas que permanecem nesses grupos por FOMO (fear of missing out), aquele medo de ficar de fora ou perder algo.

Participar de um chat em grupo pode nos dar uma sensação de pertencimento e reforçar nossa autoestima, mas também pode aumentar a ansiedade social e engatilhar o vício em redes sociais em pessoas vulneráveis.

“Os aplicativos para smartphones, como o WhatsApp, se aproveitam da nossa necessidade psicológica inata de pertencimento social”, afirma Buglass. “Afastar-se de um grupo traz o risco de perder informações socialmente importantes que poderiam ser necessárias para futuras interações com o grupo.

Ao se desconectar do grupo digital, corre-se o risco de se desconectar também do grupo presencial e de perder futuras interações”, explica.

Não existe uma forma certa de agir nos grupos de WhatsApp

“Não existe uma forma ‘correta’ de se comportar diante dos grupos de WhatsApp. Isso é como a própria vida: depende de uma infinidade de fatores e não podemos buscar perfis de personalidade nessa forma específica de agir, quer a pessoa responda, quer não”, assegurava Cáceres.

Ou seja, trata-se de uma generalização que é justamente isso: geral. Isso não significa que possa ser aplicada a todo mundo, que em todos os casos a razão seja a mesma, nem que este artigo esteja falando diretamente de você.

Deu em Purepeople Brasil

Ricardo Rosado de Holanda
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