O campo ainda é a trincheira de resistência do botafoguismo - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
PMN – Restituição Silidária – 2004 a 1905

Opinião 28/04/2026 13:49

O campo ainda é a trincheira de resistência do botafoguismo

O campo ainda é a trincheira de resistência do botafoguismo

Quem acompanha o Botafogo com algum interesse emocional e consegue manter a sanidade mental merece um prêmio, uma placa, uma estátueta ou, no mínimo, o reconhecimento.

Quem também merece congratulação é o atual elenco do Glorioso. Diante de crise financeira sem precedentes durante a era SAF, o plantel consegue manter o Mais Tradicional na primeira metade da tabela do Campeonato Brasileiro em uma sequência de sete partidas sem derrotas.

Um nível de profissionalismo exemplar.

O louvor se estende à comissão técnica. Novato, Franclim Carvalho começa o trabalho de forma surpreendente. O campo é, portanto, a última trincheira de resistência do botafoguismo.

A salvaguarda do orgulho de uma torcida machucada e apreensiva.

Fernando Would Make, em seu último texto no Jogada10, lembrou muito bem: quem carrega a Estrela Solitária no peito não tem um só minuto de paz.

É claro que alguns jogadores entregam mais, outros menos. Assim como há críticas justas em relação a uma escalação ou opções táticas, conforme a Coluna do Léo Pereira sempre pontua nas atuações.

Mas, no conjunto da obra, o trabalho do técnico de Miranda do Corvo se assemelha a um milagre. Afinal, o treinador português comanda um time posicionado no epicentro do tiroteio de uma batalha feroz e interminável pelo comando da SAF, seja no Judiciário ou em um tribunal arbitral constituído.

Além disso, Franclim Carvalho trouxe vida a uma equipe destroçada pelo bielsismo de Martín Anselmi quando era difícil acreditar em alguma recuperação após um mês tão desastroso como março.

Quem vai estancar a sangria?

O botafoguismo sangra. Em um quadro pré-falimentar, como descreveu a hipérbole da SAF na última segunda-feira (27), convém abandonar o otimismo e abraçar o pessimismo.

O futuro, assim, já não é mais um ponto de interrogação.

E, sim, a certeza de que não haverá Barboza, Danilo, Montoro e outras referências técnicas para segurar a barra no segundo semestre. Tudo para que o Mais Tradicional respire por aparelhos.

A grande questão que surge no horizonte do universo preto e branco, então, é: até quando a blindagem ao plantel vai continuar funcionando diante de tantas incertezas?

Sem previsão de aportes e novas receitas, a missão, por ora, limita-se a assegurar um número razoável de pontos antes da Copa do Mundo para não passar sufoco na sequência da temporada.

A desconfiança e o momento turbulento dos bastidores refletem no humor do público alvinegro.

O número de sócios do Botafogo, por exemplo, despencou quase pela metade em relação ao fim de 2024.

No entanto, em tempos de dívidas impagáveis e transfer bans, a torcida não tem outra alternativa a não ser lotar o Estádio Nilton Santos e cantar ainda mais alto que não abandona na pior.

Quem ficar merece a presença dos escolhidos no Colosso do Subúrbio.

A vida de um alvinegro nunca foi simples.

O Mais Tradicional é um clube fadado ao caos.

*Esta coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Jogada10.

Deu em Portal Terra

Ricardo Rosado de Holanda
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