Além dessas informações, os participantes responderam a questionários sobre hábitos atuais de consumo, incluindo frequência e duração das sessões, e passaram por avaliações de saúde mental, com foco em sintomas de depressão, ansiedade e ideação suicida.
O levantamento também investigou comportamentos associados, como o uso de álcool, maconha e jogos de azar.
Três perfis distintos de consumo
A partir da análise dos dados, os responsáveis identificaram três padrões principais de comportamento: Engajamento Precoce, Engajamento Casual e Engajamento Tardio.
O grupo de Engajamento Precoce, que representou cerca de 67% da amostra, teve o primeiro contato com pornografia por volta dos 14 anos e passou a consumir esse tipo de conteúdo regularmente aos 18. Esses indivíduos relataram maior frequência e duração de uso, além de maior tendência a buscar conteúdos mais intensos ou de nicho ao longo do tempo.
Tal padrão é comparável a processos de tolerância observados em outros tipos de comportamento aditivo e, do ponto de vista psicológico, esse grupo apresentou os maiores níveis de sofrimento.
Os participantes registraram pontuações mais elevadas em indicadores de depressão, ansiedade e pensamentos suicidas, além de maior incidência de comportamentos problemáticos relacionados ao consumo de substâncias e jogos de azar, conforme relatado pelo portal PsyPost.
Já o grupo de Engajamento Casual correspondeu a cerca de 7% dos participantes. Esses indivíduos só tiveram contato com conteúdo explícito em média aos 28 anos e passaram a consumi-lo regularmente por volta dos 36. Apesar da baixa frequência de uso, apresentaram níveis de ansiedade e depressão semelhantes aos do grupo precoce.
Segundo os pesquisadores, esse resultado pode estar relacionado à chamada incongruência moral, quando o comportamento entra em conflito com valores pessoais ou religiosos.
Os participantes desse grupo relataram maior religiosidade e maior importância atribuída à espiritualidade em suas vidas.
Por fim, o grupo de Engajamento Tardio embora tenha tido contato inicial também por volta dos 14 anos, seus integrantes só desenvolveram um hábito regular décadas depois, em média aos 38 anos. Esse grupo registrou os menores níveis de sofrimento psicológico entre os três.
Impactos psicológicos
Os resultados indicam que a exposição inicial isolada não é o principal fator associado a dificuldades emocionais. O aspecto mais relevante parece ser a velocidade com que o consumo se torna frequente, um padrão que se aproxima do observado em estudos sobre dependência comportamental.
A análise também apontou diferenças demográficas. Homens foram mais propensos a integrar os grupos de início precoce ou tardio, enquanto indivíduos com orientações sexuais diversas apareceram com maior frequência no grupo precoce, possivelmente refletindo o uso da internet para exploração da identidade.
Apesar das associações identificadas, os autores destacam que o estudo não permite estabelecer relações de causa e efeito. É possível que jovens com sintomas iniciais de ansiedade ou depressão utilizem o conteúdo adulto como forma de lidar com emoções negativas, o que pode contribuir para a consolidação do hábito ao longo do tempo.
Os pesquisadores também ressaltam limitações metodológicas. Os dados foram baseados em memória retrospectiva, o que pode gerar imprecisões, e o desenho transversal da pesquisa captura apenas um momento específico da vida dos participantes.
Como próximos passos, a equipe defende a realização de estudos longitudinais que acompanhem indivíduos ao longo dos anos. Enquanto isso, recomendam que profissionais de saúde mental considerem tanto a idade da primeira exposição quanto o início do consumo regular ao avaliar possíveis riscos comportamentais.


