Canal do Panamá volta a ter controle norte-americano: BlackRock compra portos da chinesa Hutchison - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Portos 05/03/2025 10:05

Canal do Panamá volta a ter controle norte-americano: BlackRock compra portos da chinesa Hutchison

A gigante BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, comprou os portos da CK Hutchison no Canal do Panamá, consolidando a retomada do controle norte-americano sobre essa rota estratégica.

A operação, avaliada em US$ 22,8 bilhões, envolve a aquisição de terminais localizados na entrada e na saída da hidrovia.

A empresa chinesa CK Hutchison, que controlava os portos por meio da Panama Ports, enfrentava pressão tanto dos  quanto do governo panamenho para se desfazer dos ativos.

Portos estratégicos voltam ao domínio dos EUA

Panama Ports, subsidiária da Hutchison, era responsável pela administração de dois terminais essenciais para o tráfego marítimo:

Porto de Balboa (entrada do Pacífico)
Terminal de Cristóbal (entrada do Atlântico)

Os dois portos movimentaram 40% de todos os contêineres que passaram pela hidrovia em 2023.

A aquisição foi realizada por um consórcio liderado pela BlackRock, que também comprará dezenas de outros portos controlados pela CK Hutchison em diversos países.

 ameaçou intervir no Panamá para conter presença chinesa

Desde o início de seu segundo mandato, o presidente  expressava preocupação com a presença chinesa no Canal do Panamá.

“A  está operando o Canal do Panamá, e não o demos à China”, declarou Trump em seu discurso de posse, referindo-se ao tratado de 1977 que transferiu o controle da hidrovia ao Panamá.

No início de fevereiro, Trump enviou o secretário de Estado, Marco Rubio, ao Panamá para negociar uma saída da influência chinesa. Durante a visita, os EUA exigiram passagem livre para navios da Marinha norte-americana e a redução da presença chinesa na região.

Após a reunião, o governo panamenho tomou duas medidas importantes:

✅ Anunciou sua saída da iniciativa chinesa da Nova Rota da Seda
✅ Iniciou uma investigação sobre as operações da CK Hutchison nos portos panamenhos

O receio de Washington era que a China, ao controlar os dois terminais do Canal do Panamá, pudesse monitorar ou restringir a passagem de embarcações norte-americanas, comprometendo a segurança militar e econômica dos EUA.

Autoridades panamenhas e ex-oficiais militares dos EUA, no entanto, negaram que a presença chinesa representasse uma ameaça militar direta.

Histórico da influência norte-americana no Canal do Panamá

Os Estados Unidos construíram o Canal do Panamá e mantiveram seu controle até 1999, quando o governo panamenho assumiu a administração da hidrovia por meio de um tratado assinado pelo então presidente Jimmy Carter em 1977.

Desde então, a presença chinesa cresceu significativamente na região, incomodando Washington. Trump sempre criticou o tratado, alegando que os EUA perderam uma posição estratégica vital e foram prejudicados pelas taxas cobradas pelo Panamá.

Hutchison reduz presença global e mantém portos na China

A venda dos portos no Panamá marca um recuo estratégico da CK Hutchison em suas operações internacionais. A empresa, controlada pelo bilionário Li Ka-shing, de 96 anos, manterá apenas suas operações portuárias em Hong Kong e na China continental.

No entanto, o grupo venderá o controle de 43 portos e 199 terminais de carga em 23 países, incluindo instalações na  e na Malásia, que eram utilizadas na Nova Rota da Seda, projeto global de infraestrutura promovido pela China.

Com essa transação, os Estados Unidos retomam uma posição estratégica no Canal do Panamá, garantindo influência direta sobre o tráfego marítimo global e afastando a presença chinesa da hidrovia.

Deu em Contra Fatos

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista