FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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Crônica 17/02/2021 14:00

Carnaval estranho: o que contagiou foi o vírus da ignorância

A cena foi flagrada hoje cedo, quarta feira de cinzas do ano de 2021, na Praia de Barra de Tabatinga. 

Carnaval estranho: o que contagiou foi o vírus da ignorância

A cena foi flagrada hoje cedo, quarta feira de cinzas, do ano de 2021, na Praia de Barra de Tabatinga.

Como sempre, acordei cedo.

Queria fazer fotos do nascer do sol, hoje numa coloração mais avermelhada, muito bonita.

Me postei sentado na frente do portão do condomínio e aguardei a natureza andar e fazer suas obrigações matinais.

De longe avistei este vulto, caminhando num contraluz, formando um silhueta plasticamente interessante pra quem gosta de usar um jogo de luzes e sombras nas fotografias.

Achei que seria um vendedor, pela cesta amarrada na garupa da bicicleta.

Numa penosa travessia em direção ao nada.

Exausto, não deu pra perceber se vinha satisfeito com as vendas feitas ou tristonho pela ausência dos foliões na beira da praia.

Deixou a parte mais dura da praia e encarou a areia mais fofa.

Aí aumentou o sofrimento.

Levou mais de 15 minutos pra andar 100 metros.

Maldosamente, imaginei que vinha puxando uma ressaca das noitadas de carnaval sem festa, sem bandinhas, sem marchinhas, sem alegrias.

Um carnaval  com momentos de contágio e de ignorância.

O esforço de atravessar a faixa de areia indicava que levaria o tempo para andar toda a extensão do deserto do Saara.

Mas ele conseguiu.

Assim com muitos brasileiros, que neste carnaval fizeram o sacrifício de suspender a alegria em nome da preservação da vida.

Mesmo que outros tantos não estejam nem aí para tal preocupação e apostaram na aglomeração estúpida.

E lá se foi o homem, carregando suas tristezas e incertezas, numa marcha lenta, vencendo a incerteza.

Feliz carnaval de 2022, estranho madrugador.

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista