A partir de março de 2026, o comércio alimentar do Espírito Santo vai mudar o ritmo. Supermercados, atacarejos e minimercados não poderão mais funcionar aos domingos, decisão que marca uma inflexão clara no varejo capixaba.
O acordo foi firmado entre sindicatos patronais e de trabalhadores e segue modelos já consolidados em países europeus. O entendimento se ancora na Reforma Trabalhista de 2017, que permite ajustes regionais por meio de negociação coletiva.
Nesse desenho, o descanso semanal remunerado ganha foco com ênfase em saúde, convivência familiar e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Assim, a lógica econômica cede espaço a critérios sociais.
A regra valerá de forma obrigatória para estabelecimentos com funcionários registrados, sem exceção para lojas em shoppings ou centros comerciais. Empreendimentos que descumprirem o acordo poderão sofrer sanções previstas nas convenções coletivas.
Com isso, o domingo passa a ser, oficialmente, um dia de portas fechadas no setor.
Quem abre e quem fecha no documento
Para dar clareza às operações, as entidades definiram linhas objetivas. O varejo com empregados segue uma lógica, enquanto atividades familiares ganham flexibilidade. As exceções cobrem serviços essenciais de bairro que costumam suprir emergências.
- Vai fechar: supermercados, atacarejos, minimercados e lojas de materiais de construção com empregados, inclusive unidades em shoppings.
- Pode abrir: padarias, açougues, pequenos comércios de rua que não sejam supermercados e negócios familiares operados apenas pelos donos, sem funcionários.
De março a outubro de 2026, fica em vigor o período de teste. Em novembro, está prevista uma reavaliação para decidir a permanência ou o retorno da abertura dominical. Para tomar a decisão final, sindicatos e empresas se reúnem e analisam os impactos.
Efeitos esperados e discussões
O consumidor capixaba precisará reorganizar suas rotinas de compra a partir do próximo ano. A tendência é antecipar o abastecimento para sábado ou dias úteis. Em casos urgentes, permanecem como alternativas os pequenos comércios de bairro e o e-commerce com entrega agendada.
De um lado, sindicatos celebram ganhos no convívio familiar e na saúde dos comerciários. Por outro lado, entidades empresariais adotam cautela e pedem análises detalhadas. Afinal, o domingo figura entre os dias de maior faturamento nas áreas urbanas, o que pressiona as margens.
Consequentemente, redes estudam redistribuir escalas durante a semana para compensar o fechamento. Além disso, há preocupação com os custos fixos e a logística.
Enquanto isso, trabalhadores apontam a redução de jornadas fragmentadas e defendem que o descanso semanal remunerado se estabeleça como padrão setorial.
Laboratório nacional
O Espírito Santo assume o papel de laboratório nacional nessa discussão. Assim, o desempenho do projeto nos sete meses de vigência pode orientar outros estados brasileiros.
Sobretudo, o debate busca equilibrar o faturamento econômico e o bem-estar social, sob influência de experiências europeias.


