Dinheiro 27/09/2025 11:09
BC revela ranking dos países investidores no Brasil: EUA lideram com US$ 232,8 bi; Países Baixos caem para 5º por serem rota do dinheiro

O Banco Central divulgou um novo ranking que detalha os principais países investidores no Brasil, e os Estados Unidos se consolidam na liderança com um volume de US$ 232,8 bilhões.
A informação, parte do censo de capitais estrangeiros publicado pela Agência Brasil, revela uma mudança metodológica importante que alterou a percepção sobre a origem do capital que chega ao país, mostrando quem de fato controla os recursos.
A principal alteração no ranking foi a queda dos Países Baixos para a quinta posição. Isso acontece porque a nova análise do BC agora identifica o “controlador final” do investimento, desconsiderando rotas de passagem do dinheiro, como paraísos fiscais, que são usados por grandes corporações para otimizar a carga tributária.
A mudança lança luz sobre a complexa engenharia financeira por trás dos investimentos diretos que movimentam a economia brasileira.
De acordo com os dados do censo do Banco Central, o Brasil atingiu um estoque recorde de US$ 1,141 trilhão em investimento estrangeiro direto.
Esse montante representa 46,6% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior percentual já registrado na série histórica, evidenciando a forte dependência da economia nacional em relação ao capital externo para financiar seu desenvolvimento e operações.
Conforme detalhado pela Agência Brasil, o BC divide esse valor em duas categorias principais. A maior parte, correspondente a US$ 884,8 bilhões, refere-se à participação direta no capital social de quase 19 mil empresas estabelecidas no território nacional.
Os outros US$ 256,4 bilhões são classificados como operações intercompanhia, que funcionam como empréstimos entre unidades de um mesmo grupo empresarial, uma prática comum em multinacionais.
A grande mudança na análise reside na distinção entre o “investidor imediato” e o “controlador final”.
A lista tradicional, que considera a origem imediata dos recursos, posicionava os Países Baixos e Luxemburgo em posições de grande destaque. Essa configuração, no entanto, mascarava a verdadeira origem do capital, já que muitos desses países funcionam como intermediários.
Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, explicou à Agência Brasil que essa metodologia anterior identificava “o país onde está a empresa que é imediatamente dona da empresa daqui”.
Ele detalha que, em muitos casos, corporações globais centralizam suas operações financeiras em jurisdições com tributação favorecida. “São lugares para onde as empresas mandam seus recursos […] porque pagam menos impostos, e de lá vem para o Brasil”, afirmou.
Por isso, locais como Luxemburgo e Ilhas Cayman figuravam com relevância.
Ao aplicar a metodologia do controlador final, o Banco Central conseguiu “limpar” o efeito dos paraísos fiscais, revelando um mapa mais fiel da influência econômica estrangeira.
Nesse cenário ajustado, os Estados Unidos não apenas lideram, como controlam 26% do total, com US$ 232,8 bilhões. A França assume a segunda posição (US$ 69,3 bilhões), seguida por Uruguai (US$ 58,4 bilhões) e Espanha (US$ 50,0 bilhões).
Nessa nova classificação, os Países Baixos caem para o quinto lugar (US$ 48,6 bilhões), confirmando seu papel predominante como um centro de trânsito de capital, e não como a origem final do investimento.
Essa análise mais precisa é fundamental para que o governo e o mercado entendam quais nações de fato possuem o poder de decisão sobre uma parcela significativa das empresas que operam no país.
O levantamento divulgado pela Agência Brasil também mapeou os setores da economia que mais recebem investimento estrangeiro.
O setor de serviços lidera com folga, concentrando 59% do total, à frente da indústria (29%) e da combinação de agropecuária e extrativismo mineral (12%). Essa distribuição reflete a própria estrutura da economia brasileira.
Analisando de forma mais específica, as atividades campeãs na atração de capital externo são os serviços financeiros e suas atividades auxiliares (22%).
Em seguida, aparecem a extração de petróleo e gás natural (8%), o comércio (7%), e o setor de eletricidade e gás (5%). No caso específico dos Estados Unidos, o principal dos países investidores no Brasil, 25% de seus recursos são direcionados para a indústria de transformação, enquanto 22% vão para atividades financeiras.
A nova metodologia do Banco Central oferece uma transparência inédita sobre a origem do capital que move a economia brasileira, distinguindo a engenharia fiscal da decisão estratégica.
Deu em CPG

Descrição Jornalista
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