Lula diz que discute com BC proibir bancos de dar mais de um cartão de crédito por pessoa - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Crédito 02/10/2026 10:03

Lula diz que discute com BC proibir bancos de dar mais de um cartão de crédito por pessoa

Lula diz que discute com BC proibir bancos de dar mais de um cartão de crédito por pessoa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, criticou nesta quinta-feira, 1º, os juros cobrados no cartão de crédito, classificou a situação como um “crime” e afirmou que o governo discute com o Banco Central uma forma de limitar a quantidade de cartões concedidos a cada pessoa.

“Quanto é que o povo paga? É 493%, 500% (ao ano) no cartão de crédito. Dá para fazer (alguma coisa). É o que eu estou exigindo que faça agora”, afirmou Lula em entrevista ao Flow Podcast, concedida após Lula decidir não ir ao debate entre candidatos à Presidência promovido pela TV Globo.

O encontro entre presidenciáveis estava previsto para esta quinta-feira, 1º, mas foi cancelado após uma série de decisões da Justiça que interferiam nas regras propostas pela emissora.

Em entrevista ao Flow Podcast, presidente e candidato à reeleição chamou juros do cartão de ‘crime’ Foto: Reprodução/Lula via Youtube

Na sequência, o presidente criticou a oferta de cartões pelas instituições financeiras. “É um crime. Os bancos hoje distribuem cartão de crédito sem saber se você quer. Eles mandam para você”, declarou.

O presidente afirmou que o tema está sendo discutido com a autoridade monetária e antecipou uma possível restrição. “Nós estamos discutindo com o Banco Central. Nós vamos proibir os bancos de darem mais de um cartão de crédito para as pessoas”, declarou.

Dados divulgados pelo Banco Central mostram que a taxa média de juros do crédito rotativo do cartão chegou a 449,4% ao ano em agosto, uma das modalidades mais caras do sistema financeiro.

Durante a entrevista, Lula relacionou ainda a facilidade de acesso ao crédito ao endividamento das famílias e afirmou que o governo pretende adotar medidas para reduzir esse tipo de exposição dos consumidores.

Desenrola x endividamento recorde

Na semana passada, a nove dias das eleições, Lula anunciou uma nova fase do programa Desenrola, de renegociação de dívidas. Chamado de Desenrola 3.0, a proposta prevê a compra de dívidas antigas das famílias pelo governo com desconto. O custo deve ser de cerca de R$ 15 bilhões aos cofres públicos.

O primeiro programa Desenrola foi lançado pelo governo em 2023, com a exclusão das famílias dos cadastros de inadimplência para dívidas de até R$ 100, e renegociação de dívidas para pessoas com renda de até R$ 20 mil. Segundo balanço do governo Lula, R$ 53 bilhões em dívidas foram renegociadas e 15 milhões de pessoas atendidas.

Já a segunda fase do Programa ocorreu há pouco meses, em meio deste ano, e incluiu estudantes, micro e pequenas empresas, além de dívidas rurais. Depois, o governo ainda lançou um novo braço do programa, para famílias que pagavam suas contas em dia, o Desenrola Adimplentes.

Ainda assim, os indicadores de endividamento e inadimplência continuaram batendo recordes.

Pelos dados do Banco Central, o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas chegou a 28,85% em junho, último dado disponível, o maior número da série. Já o endividamento das famílias sobre a renda em 12 meses chegou 49,72% no mesmo mês, muito próximo do recorde de 49,92% de janeiro deste ano.

A inadimplência, segundo o Banco Central, chegou a 7,8% do total da carteira para pessoas físicas (do crédito livre, sem subsídio) também o patamar recorde.

Pelos dados da CNC, o porcentual de famílias endividadas chegou a 82% em julho, também o maior da série que teve início em janeiro de 2010.

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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