Engie fecha acordo com indústria brasileira para usar energia de sete usinas solares no RN, com 340,5 MW e redução projetada de R$ 10 milhões por ano na conta de luz - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Energia. 15/10/2026 19:05

Engie fecha acordo com indústria brasileira para usar energia de sete usinas solares no RN, com 340,5 MW e redução projetada de R$ 10 milhões por ano na conta de luz

Engie fecha acordo com indústria brasileira para usar energia de sete usinas solares no RN, com 340,5 MW e redução projetada de R$ 10 milhões por ano na conta de luz

Uma indústria de painéis de madeira do Espírito Santo decidiu vincular parte de sua conta de luz a sete usinas solares do Rio Grande do Norte. A Placas do Brasil firmou com a Engie um acordo que envolve 340,5 megawatts (MW) de potência instalada e projeta uma economia de R$ 10 milhões por ano com eletricidade.

Pelo negócio, a fabricante de MDF terá 40% de participação em uma holding associada às usinas do complexo Assú Sol. A energia será destinada ao consumo da fábrica de Pinheiros, no Espírito Santo, pelo modelo de autoprodução, que permite a grandes consumidores participar de projetos de geração.

Redução projetada representa quase um sexto do orçamento de eletricidade

A estimativa foi apresentada pela US Capital, consultoria responsável pela originação e estruturação do acordo. A Placas do Brasil possui orçamento anual de energia elétrica calculado em aproximadamente R$ 60 milhões. Se a economia projetada se confirmar, a redução corresponderá a cerca de 16,7% desse valor.

O cálculo considera a implementação do novo arranjo de fornecimento e as premissas econômicas da negociação. O preço pago pela participação societária não foi divulgado, segundo reportagem publicada pela MegaWhat em 30 de setembro de 2026.

Sete usinas de um único complexo somam 340,5 MW

Os ativos envolvidos são as unidades Assú Sol 4, 6, 10, 11, 13, 14 e 15, instaladas no Rio Grande do Norte. Elas fazem parte de um complexo maior desenvolvido pela Engie no município de Assú, na região do Vale do Açu.

Os 340,5 MW correspondem à capacidade das sete usinas negociadas, e não à potência de todo o complexo. Segundo a US Capital, esse conjunto tem previsão de produzir cerca de 101 MW médios no cenário P90, utilizado no planejamento de geração sob premissas conservadoras.

Engie investiu R$ 3,3 bilhões no maior projeto solar do grupo no mundo

O Assú Sol completo reúne 16 parques e aproximadamente 753 MW de capacidade instalada, conforme comunicado oficial da Engie. Em 23 de fevereiro de 2026, a companhia anunciou a entrada em operação comercial integral, após obter o aval das autoridades brasileiras em 13 de fevereiro.

Construído com investimento de cerca de R$ 3,3 bilhões, o empreendimento ocupa 2.344 hectares e reúne mais de 1,5 milhão de módulos solares. A Engie também informou a instalação de 12 mil quilômetros de cabos e 53 quilômetros de vias internas.

Conjunto de fileiras de painéis solares do empreendimento Assú Sol, da Engie, em terreno plano no Rio Grande do Norte.
Painéis solares instalados no complexo Assú Sol, no Rio Grande do Norte, que reúne 16 usinas e 753 MW de capacidade total. Foto: ENGIE.

A implantação levou aproximadamente 30 meses e gerou mais de 4.500 empregos diretos durante as obras, segundo a empresa. O conjunto se tornou o maior projeto solar em operação da Engie em todo o mundo.

Fábrica de MDF vai consumir energia vinculada a usinas de outro estado

A Placas do Brasil produz painéis de fibras de madeira de média densidade, conhecidos como MDF, utilizados por fabricantes de móveis e outros segmentos industriais. Sua unidade produtiva fica em Pinheiros, no norte do Espírito Santo, enquanto os ativos de geração estão no interior potiguar.

O fornecimento é organizado por meio do sistema elétrico e de contratos de comercialização. A energia gerada no Nordeste é entregue à rede, e o consumo industrial é contabilizado pelas regras do setor, sem a necessidade de uma linha exclusiva entre as usinas e a fábrica.

Instalações industriais da fábrica de painéis MDF Placas do Brasil no município de Pinheiros, no Espírito Santo.
Fábrica da Placas do Brasil em Pinheiros (ES). A empresa prevê reduzir sua despesa anual com energia por meio de participação em sete usinas solares da Engie. Foto: Divulgação/Placas do Brasil.

A Placas do Brasil já está conectada à rede de alta tensão. Em seu processo produtivo, também utiliza resíduos de madeira e biomassa para geração térmica, enquanto a parceria solar mira a despesa com eletricidade.

Participação societária de 40% abre caminho para autoprodução

A operação prevê a constituição de uma holding que reunirá os sete ativos. A Placas do Brasil terá 40% dessa estrutura e pretende destinar a energia correspondente às suas próprias operações industriais, em vez de atuar como comercializadora no mercado elétrico.

O modelo de autoprodução por equiparação permite que determinados consumidores industriais sejam reconhecidos como participantes da geração ao integrar o capital de empreendimentos autorizados. A modalidade pode alterar a incidência de encargos e oferecer maior previsibilidade de custos, conforme as condições legais e contratuais.

Contratos antigos exigiram uma troca energética para viabilizar o negócio

Quando a negociação começou, a fabricante já possuía contratos de fornecimento em vigor. A US Capital informou que adotou uma estrutura de swap energético, mecanismo de troca contratual de energia, para compatibilizar os compromissos anteriores com a nova autoprodução.

O projeto começou a ser estruturado em dezembro de 2025 e envolveu negociações comerciais, modelagem energética e ajustes societários e jurídicos. A consultoria coordenou essas etapas para adequar o negócio à necessidade de fornecimento da empresa.

Lei de 2025 mudou exigências para grandes consumidores produzirem energia

A operação foi organizada durante a transição regulatória da Lei nº 15.269, de novembro de 2025. A norma atualizou regras da autoprodução por equiparação e vinculou o enquadramento a requisitos de demanda contratada, participação societária e destinação da energia.

O texto legal também prevê condições específicas de transição para operações que começaram a ser estruturadas sob o regime anterior. A US Capital afirmou ter coordenado o cronograma do acordo para atender ao enquadramento aplicável ao empreendimento.

Negociação passou pelo Cade e tem economia anual como principal meta

A transação foi submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica e identificada pelo Ato de Concentração nº 08700.008855/2026-41, envolvendo a Placas do Brasil e a Assú Sol Solar Participações e Geração de Energia. A negociação reúne ativos já existentes, não a construção anunciada de outras sete usinas.

Para a indústria capixaba, a meta divulgada é transformar participação em geração solar em uma redução estimada de R$ 10 milhões por ano no orçamento elétrico. A experiência mostra uma alternativa de suprimento em análise por grandes consumidores do país, num setor em que a energia pesa diretamente nos custos de produção.

Deu em CPG
Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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