Cientistas descobrem mecanismo desconhecido do sistema imunológico humano - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Ciência 07/03/2025 11:08

Cientistas descobrem mecanismo desconhecido do sistema imunológico humano

Ao investigar as células humanas, uma equipe de pesquisadores descobriu que a organela proteassoma, a qual já era conhecida pelo papel de quebrar proteínas velhas para reciclagem e reciclá-las, também pode liberar um arsenal de substâncias químicas que matam bactérias prejudiciais à saúde.

A constatação a posiciona como uma nova integrante do sistema imunológico, além de uma potencial aliada no combate à resistência aos antibióticos.

Segundo os especialistas responsáveis pelo projeto, tais achados podem transformar radicalmente a forma como doenças infecciosas são tratadas, uma vez que essas estruturas, presentes em todas as células do corpo, quando percebem o patógeno no organismo, agem como agentes antibacterianos naturais – diminuindo a necessidade do uso de medicamentos.

Detalhes do estudo foram publicados na quarta-feira (5) em um artigo na revista Nature.

Por dentro da proteassoma

No geral, a função da proteassoma envolve forçar a fragmentação de proteínas velhas em pedaços aminoácidos menores que possam ser reutilizados de outras formas pelo corpo. Mas uma série de experimentos conduzidos pelos investigadores demonstrou que, quando a organela detecta uma invasão bacteriana na célula, ele muda de objetivo.

Dentro desse cenário, a estrutura começa a transformar aquelas proteínas antigas em “armas” contra os agentes orgânicos. Isso porque essas substâncias reorganizadas passam a atacar a camada externa das bactérias, rasgando-as e, eventualmente, as matando.

“Verificar isso foi realmente emocionante, porque nunca soubemos que algo parecido pudesse estar acontecendo”, afirma Yifat Merbl, coautor da pesquisa, à BBC. “Descobrimos um novo mecanismo de imunidade que nos permite ter uma defesa eficiente contra as infecções. Basicamente, trata-se de uma classe totalmente nova de antibióticos naturais”.

Testes em laboratório demonstraram a resposta de tratamento de tais “antibióticos naturais” no caso de camundongos com pneumonia e sepse. Para a surpresa dos cientistas, a resposta obtida foi boa e até comparável a alguns antibióticos estabelecidos no mercado.

Outros experimentos ainda indicaram que, quando os pesquisadores desativaram o proteassoma de algumas células em laboratório, ficou muito mais fácil infectá-las com a bacttéria Salmonella sp. Essas bactérias são as responsáveis mais comuns pelos casos de Salmonella – infecções gastrointestinais causadas por intoxicações alimentares.

Uma esperança para o futuro

Como destaca o jornal The Independent, o estudo traz esperança para o desenvolvimento de defesas alternativas contra as infecções antibióticas. Cada vez mais, o uso indiscriminado de antibióticos tem estimulado a resistência microbiana e a seleção de superbactérias.

Anualmente, a condição é diretamente responsável por cerca de 34 mil mortes no Brasil, estima o Ministério da Saúde. Outros 138 mil óbitos estão associados indiretamente à resistência desses agentes. Isso ilustra a gravidade do problema.

Mesmo com o potencial da nova descoberta, Daniel Davis, chefe de ciências biológicas do Imperial College London, afirma à BBC que a hipótese de uma nova fonte de antibióticos é uma ideia “ainda a ser testada”. Na visão dele, outros estudos são necessários até que se comprove a eficiência real desses “antibióticos naturais”.

Deu em Galileu

Ricardo Rosado de Holanda
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