Novo marcapasso injetável some no corpo em 5 dias e funciona com celular - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Medicina 01/09/2024 18:27

Novo marcapasso injetável some no corpo em 5 dias e funciona com celular

O estimulador poderá ajudar no atendimento de arritmias cardíacas, um descompasso nos batimentos que pode levar a morte súbita. Entenda como ele funciona

Novo marcapasso injetável some no corpo em 5 dias e funciona com celular

arritmia cardíaca é uma condição caracterizada por um desajuste nos batimentos cardíacos, causado por alterações na geração ou na condução do impulso elétrico do coração.

Essa condição pode ser grave e resultar em morte súbita, como no caso do jogador uruguaio Juan Izquierdo, que faleceu na última terça-feira (27/08) após passar mal em campo devido a uma arritmia.

Ele foi atendido durante o jogo entre o São Paulo e o Nacional de Montevidéu no dia 22 de agosto e internado, mas não resistiu.

Com o objetivo de prevenir do tipo mortes, pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, criaram um estimulador cardíaco injetável que se montará automaticamente e corrigirá arritmias cardíacas em situações de emergência, utilizando uma fonte de energia externa, como um celular.

A novidade foi divulgada em um artigo científico publicado na revista Nature Communications.

O estimulador consiste em uma solução de nanopartículas de eletrodos, que inclui polímeros e monômeros — moléculas que são condutoras de energia.

Após a injeção, essas substâncias formam uma estrutura condutora ao redor do coração para facilitar as medições do eletrocardiograma e possibilitar a estimulação cardíaca, como um marcapasso.

Devido ao tamanho microscópico das partículas, elas são injetadas diretamente no coração do paciente com uma seringa de agulha extremamente fina.

Isso facilita o tratamento em situações de emergência ou em locais onde um desfibrilador não está disponível.

Além disso, o estimulador consegue funcionar com entradas de baixa potência, como celulares. Isso permite controlar os estímulos ao coração com a ajuda de um smartphone.

Utilizando um cabo conectado à pele no local da injeção próximo ao coração, a carga do telefone pode ser transferida para o eletrodo condutor no corpo, estimulando os batimentos.

Os pesquisadores desejam desenvolver um aplicativo no qual seria possível ajustar a arritmia antes que o paciente chegue ao hospital para tratamento médico.

Nesses casos, a rapidez no atendimento é essencial, já que uma arritmia pode resultar em uma parada cardíaca ou até em um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

“O método é minimamente invasivo. Além disso, o estimulador cardíaco se degrada espontaneamente e é excretado do corpo após o tratamento, então não precisa ser removido cirurgicamente”, disse Martin Hjort, pesquisador associado em Biologia Química e Terapêutica na Universidade de Lund, em comunicado.

O tempo de permanência do estimulador no corpo é de cinco dias.

Testes realizados em pequenos animais, como embriões de peixe-zebra (Danio rerio), foram bem-sucedidos.

Agora, os pesquisadores devem prosseguir com os testes em animais de maior porte e, posteriormente, em seres humanos.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC) a arritmia cardíaca pode afetar uma em cada quatro pessoas ao longo da vida e causa a morte súbita de aproximadamente 300 mil brasileiros anualmente.

Os sintomas dessa condição podem incluir palpitações, tonturas, dores no peito e falta de ar, e a genética pode desempenhar um papel em sua manifestação.

Considerada por muitos uma doença silenciosa, a arritmia torna essenciais exames cardíacos, como eletrocardiogramas, para prevenir complicações.

Deu em Galileu

Ricardo Rosado de Holanda
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