Futebol 05/06/2026 11:48
Textor diz que ainda é dono da SAF Botafogo e alerta investidores: “Estão comprando algo inválido”

Afastado do comando da SAF do Botafogo em abril, John Textor atacou o clube social alvinegro.
O empresário concedeu entrevista coletiva nesta quarta-feira, em um hotel no Rio de Janeiro, e afirmou que o associativo precisa se responsabilizar pela situação delicada, além de dizer que eles querem o poder de volta e que uma possível revenda seria inválida.
Textor deixou o clube após decisão em abril do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que afirmou que o americano “tinha o potencial de causar danos irreparáveis aos acionistas e a toda a comunidade de torcedores do Botafogo”. Neste momento, Eduardo Iglesias é o diretor da SAF, que busca um novo investidor.
— O fato é: eu sou o dono de 90% das ações. Vai ser altamente disputado entre mim e Eagle Bidco. Mas a Eagle não tem o direito de vender ações que eu sou dono. Se eles fizerem isso, o comprador tem que estar consciente de que está comprando algo inválido. Mas deixa eu dizer quem não tem esse direito também. Um dia, vai haver a resolução de John Textor tem o direito das ações ou se a Eagle vai fazer o impossível e convencer o júri de que o documento diz o que o documento não diz. Mas um grupo (de acionistas) que não tem o direito de fazer isso (vender as ações) é o associativo. Nós temos essa crença de que o associativo pode fazer o que quiser, porque nós crescemos com ele, eles administram o clube. Mas eles tomaram a decisão, pelas leis que regem esse país, de ter 10% das ações. Eles não têm o direito de fazer isso. Fizeram um acordo com a GDA, eles me traíram, traíram o Durcesio, disseram a nós que outra coisa estava acontecendo. Eu acredito em tudo que estão falando e, agora, dizem que eles vão negociar para comprar as ações. Bem, vamos ver. Eles não são os donos, eu sou. O clube social tem que se responsabilizar pelo que tá acontecendo. O clube social quer ego, poder, quer o clube deles de volta — declarou o americano
Textor ainda negou ter feito uma nova oferta para comprar novamente a SAF do Botafogo.
— Eu nunca fiz uma oferta para o clube social para fazer nada além de apresentar aos membros o que eu estou disposto a investir na SAF. Eu não fiz uma oferta que eles votaram, deixei claro antes daquelas reuniões com e-mails que vocês vão ver que eles não têm o direito de comercializar essa oportunidade para a GDA, para a Mastercom ou para qualquer outra pessoa. Não estou oferecendo comprar nada de volta. Os documentos ficaram mais claros nas últimas semanas e meus direitos ficaram mais claros. Nunca fiz uma oferta ao clube social porque não é direito deles decidir isso. Eles são, por lei, detentores de 10%. Eles têm um assento no conselho de administração e não deveriam estar administrando a empresa agora. Eles não têm o direito de fazer isso — declarou o americano
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John Textor em entrevista coletiva em hotel no Rio de Janeiro — Foto: Bárbara Mendonça/ge
Proposta de Evangelos Marinakis e Kia Joorabchian
Embora afirme ser dono de 90% da SAF e garanta não ter feito proposta de recompra do Botafogo, Textor disse que tem apoiado a oferta dos empresários Evangelos Marinakis e Kia Joorabchian e defendeu que eles assumam o controle do Botafogo. Além dos dois, o Botafogo tem propostas da GDA Luma Capital e da Mastercom pelo controle da SAF.
– Deixe-me dizer primeiro que esses são dois homens que comandam organizações muito grandes. O Kia, em particular, se tornou uma pessoa de sucesso bem além do futebol. Com relações fora do futebol e que eu acho que podem ser aproveitadas no futebol. Então, o Corinthians e o Kia hoje tiveram uma incrível evolução. Eu mesmo conheci algumas das pessoas mais incríveis através da Kia. Ele não só está conectado a muitas pessoas no futebol, mas tem acesso aos melhores atletas do mundo. É isso que queremos dos dois. Ele sempre tem uma solução, sempre tem um jogador, sempre tem um treinador. E é exatamente a pessoas que você quer por perto. O papel dele, tenho certeza, devido à parceria com o Marinakis, seria bem diferente. O Marinakis é uma força conhecida. Ele teve sucesso em negócios de transporte e em negócios de mídia. E o que ele mais ama é futebol. Eu disse a ele: “olha, eu amo este clube. Eu sempre quis fazer parte dele, mas quero o que é melhor para o clube. Se vocês quiserem entrar e se juntar a mim, ótimo. Se quiser comprá-lo para si mesmo, eu ajudo na transição para o tipo de negócio que eu sei que você pode trazer, isso é ótimo.” Essa é uma conversa que ainda não tivemos. Estou curioso para que façamos nossa própria oferta independente. Porque eu sabia que tinha esse velho presidente raivoso que, você sabe, poderia fazer qualquer coisa imaginável para me impedir de ficar. Então, eu simplesmente não queria que eu mesmo, John Textor, atrapalhasse o que é o investimento mais saudável que temos em mãos. Então, essa oferta de 50 milhões de dólares veio como participação acionária. Nada de complicado. E todos nós sabemos que esses são os primeiros 50 milhões que ele vai gastar se vier. Vai se apaixonar por um jogador e gastar milhares de dólares aqui. Você não pode colocar um número nisso, certo? Então como vai funcionar? Eu os convidei para fazer a oferta deles. Falei que podem trabalhar comigo, apenas entre eles. Os encorajei a fazer a oferta direto para o clube social porque o que eu estava ouvindo do presidente do clube social era uma linguagem 100% clara e convincente: “John, se você trouxer o Kia e o Marinakis, é uma virada de jogo. Não terá GDA”. Agora é hora de o JP provar que é um homem honesto, porque terá o acordo da vida para levar e nossos torcedores deveriam estar implorando por isso.
Negociações de Danilo e Montoro com Forest
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Danilo — Foto: Gilson Lobo/AGIF
O empresário também explicou as conversas que teve com o Nottingham Forest no início do ano e que quase fizeram Danilo e Montoro se transferirem para o clube inglês.
Além disso, Textor afirmou que não pode ser responsabilizado pelos cinco transfers ban que o Botafogo está imposto e culpou o clube associativo de bloquear dinheiro da SAF. No momento, o Botafogo não pode inscrever novos jogadores por dívidas referentes à compra de atletas.
— Vamos falar sobre as histórias que eles contaram, os 34 milhões que iam entrar vinham dos interesses econômicos de dois atletas: Danilo e Montoro. Era para transferir os dois para o Nottingham Forest no tempo das regras da Fifa e trazê-los de volta imediatamente para ficarem até o fim do ano (no Botafogo). O valor do Danilo, na época, era bem questionável, porque veio para a gente em recuperação. Então, nós vemos ele como um jogador de 46 milhões, ele é incrível. O mercado tem muitas perguntas para ele, precisam o ver jogando. Ele tem um problema que leva a uma condição médica horrível, mas o que tem feito é recuperação, recuperação, recuperação. Então, esse contrato que nós fizemos com o Nottingham Forest nos deu o direito de manter o jogador e, se ele valorizasse, o comprar de volta. Então, tem muito nessa transação que o mercado não soube. A equipe (clube associativo) rejeitou a proposta, mesmo sem me ligar, isso nunca aconteceu antes. Não pude acreditar, vocês verão no e-mail. Como pode rejeitar essa proposta sem antes ligar e discutir sobre? Então os 34 milhões foram bloqueados. E sai “John está vendendo seu jogador favorito”, eles foram ao tribunal bloquear o credor tóxico conhecido como GDA Luma, e agora querem que vocês acreditem que a GDA é a salvadora, mas sem John. Eu assumo a responsabilidade por muitos dos meus erros, mas não vou me responsabilizar por transfer bans que foram criados pelo clube social, usando a Justiça para bloquear dinheiro de entrar. Como o clube estaria com 70 milhões de dólares? Nós estaríamos contratando jogadores, pagando nossas dívidas e não estaríamos nessa guerra. Se naquela época os 70 milhões de dólares tivessem entrado, nós não estaríamos aqui falando sobre a vergonha que está com o nome do nosso clube.
Críticas a João Paulo Magalhães
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John Textor entre João Paulo Magalhães e Durcesio Mello — Foto: Vítor Silva/Botafogo
Por fim, Textor foi duro e atacou o presidente do clube social, João Paulo Magalhães.
Ele afirma que o dirigente mudou de rota durante o processo e não foi honesto com ele e com o ex-presidente do Botafogo, Durcesio Mello.
– Eu fui a uma reunião com o JP. É maravilhoso. Ele me chama de amigo, me chama de irmão. Eu olho nos olhos dele e ele diz que sou o melhor. Pergunte ao Durcesio. Sabe, existem alguns termos interessantes nisso, mas o tribunal arbitral, na minha opinião, não tinha o direito de me remover da presidência. Eu tenho o direito constitucional de participar do processo e responder em juízo pelas questões que me afetam, e eu nunca fui parte na arbitragem. Ela nunca foi revogada. E não fazer parte do processo e ser informado de que tínhamos mudado de cargo… eu poderia ter lutado muito mais, mas o que eu fiz foi o diretor do clube social vir até mim e dizer: “John, por que não fazemos algo mais inteligente? Em quem você confia mais do que em qualquer pessoa aqui no Brasil?” Eu disse: “Durcesio”. E o JP olhou para mim e disse: “Bem, John, você não pode confiar em mim. Seja o que for que você faça, não confie em mim. Você não pode confiar no clube social”. Ele estava brincando comigo. Então, por que não tornamos o tribunal e a arbitragem desconfortáveis? Vamos combinar que o representante do setor social entre e ele conduzirá o tribunal. Para mim, essa é uma ótima solução. Não demorou muito para isso mudar, e quero falar sobre esse momento. Porque JP nos disse por muito tempo que não queria correr o risco de assinar a resolução dos acionistas, pois alguém poderia nos processar, alguém poderia nos contestar. Mostramos a ele claramente que ele tinha o direito de simplesmente votar com suas ações. Não estávamos pedindo nada controverso. Apenas dissemos: votem com suas ações pelo bem do clube. Mas ele não fez isso. Mas, de repente, ele tem um momento em que eu, junto com nossos advogados, conseguimos anular os direitos políticos da Eagle Biddle para que eles não pudessem votar. Nós sabemos disso. Vimos isso, certo? Isso estava previsto. Então, o que JP faz agora que eles não podem votar? Ele convoca uma assembleia geral. Ele diz: “Ok, agora tomei coragem. Vou votar.” E em que ele deveria votar? Uma autorização para aumentar o número de ações e permitir que o clube arrecadasse dinheiro. Ele faz isso? Não. Toma a grande e corajosa decisão de contratar um funcionário júnior do departamento de futebol para substituir Durcesio, a quem ele havia me prometido colocar no cargo. E me deixa um recado de voz dizendo: “John, tomei uma decisão difícil hoje. Uma decisão corajosa.” Bem, a corajosa decisão dele, no momento em que finalmente esperávamos que ele demonstrasse alguma coragem e votasse, ele deveria ter votado pelo bem do clube. Ele votou para colocar seu fantoche no lugar. E seu fantoche substituiu um dos presidentes mais respeitados da história. E ele enganou Durcesio e me enganou. Então, foi assim que ele usou a coragem.

Descrição Jornalista
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