Startup do RN cria uma tecnologia para reduzir ruído de aerogeradores - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Inovação 04/10/2026 17:15

Startup do RN cria uma tecnologia para reduzir ruído de aerogeradores

Startup do RN cria uma tecnologia para reduzir ruído de aerogeradores
Uma startup incubada no Parque Tecnológico Metrópole Digital, ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), desenvolve uma tecnologia para reduzir o impacto do ruído de aerogeradores dentro das residências.
Criada em abril, a Jupitera trabalha no PER (Perturbador de Envelope Rítmico), dispositivo eletrônico que processa sinais sonoros em tempo real e deverá ter seu primeiro equipamento pronto em cerca de nove meses.
O projeto acaba de conquistar o primeiro lugar no Concurso Ideias Inovadoras, realizado em Salvador.

A empresa potiguar recebeu R$ 10 mil pela primeira colocação. O concurso, promovido pela incubadora Desavexe, vinculada ao Centro de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Cepedi) e ao Hub Salvador, recebeu 101 propostas de 11 Estados. A Jupitera avançou pelas etapas de avaliação até integrar o grupo de dez finalistas que participou do Pitch Final/ Demoday em 30 de setembro.

 

Representantes da Jupitera, com o prêmio nacional em mãos, agora se preparam para mostrar o projeto na Alemanha — Foto: Divulgação

A solução tem origem em uma pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Gestão, Inovação e Sustentabilidade (Propgis) da UFRN.

O PER atua especificamente sobre a modulação de amplitude do ruído dos aerogeradores — o componente rítmico e pulsante associado ao movimento das pás. Diferentemente de uma intervenção realizada na própria turbina, o equipamento deverá ser instalado no ambiente em que o som é recebido.

A proposta é colocar o dispositivo principalmente nos quartos das residências próximas a parques eólicos.

O sistema utiliza processamento digital de sinais em tempo real para atuar sobre a repetição rítmica do som e reduzir o incômodo durante o sono. Atualmente, o protótipo está na etapa de simulações e testes de bancada. Depois dessa fase, a empresa pretende realizar testes com pessoas.

A tecnologia também está em processo de proteção intelectual. A Jupitera prepara um pedido de patente em cotitularidade com a UFRN, vínculo que mantém a universidade associada ao desenvolvimento tecnológico enquanto a startup trabalha para transformar o resultado da pesquisa acadêmica em produto.

O projeto ganhou projeção nacional poucos meses depois da abertura da empresa. Na primeira fase do Concurso Desavexe, a Jupitera obteve 92 pontos em uma escala de 100 e ficou entre os 20 projetos classificados.

O corte estabelecido para avançar era de 70 pontos. Depois, dez iniciativas chegaram à etapa final, na qual a empresa potiguar ficou com a primeira colocação.

“Foi uma experiência incrível, entre mais de 100 startups, após várias etapas, ser contemplado com o primeiro lugar. Isso chancela muito o caminho que a gente vem seguindo”, afirmou Felipe Neves, pesquisador e fundador da Jupitera. Além dos R$ 10 mil destinados à vencedora, o concurso distribuiu R$ 3,5 mil ao segundo colocado e R$ 1,5 mil ao terceiro, totalizando R$ 15 mil em premiações.

A startup também foi selecionada para o Programa Capital Empreendedor, do Sebrae, e agora busca ampliar a exposição internacional da tecnologia.

Entre os dias 7 e 9 de outubro, o projeto será apresentado na Alemanha durante o Halle-Symposium Social Science in the Energy System Transformation, encontro que reúne pesquisadores de diferentes países para discutir os efeitos sociais da transformação dos sistemas energéticos.

A trajetória coloca a Jupitera em uma área diretamente relacionada à expansão da geração eólica e às discussões sobre a convivência entre parques de geração e comunidades vizinhas.

Para a empresa, os próximos passos serão concluir o protótipo, avançar para a validação com usuários e encaminhar a proteção da propriedade intelectual antes de transformar a tecnologia desenvolvida na UFRN em um produto disponível no mercado.

Deu em Agora RN

Ricardo Rosado de Holanda
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