Recuperação Judicial do Botafogo prevê pagamento integral a jogadores do elenco e em até 20 anos a credores - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Futebol 15/07/2026 11:46

Recuperação Judicial do Botafogo prevê pagamento integral a jogadores do elenco e em até 20 anos a credores

Recuperação Judicial do Botafogo prevê pagamento integral a jogadores do elenco e em até 20 anos a credores

A SAF Botafogo apresentou o Plano de Recuperação Judicial nesta segunda-feira e detalhou como pretende reestruturar o pagamento da dívida de R$ 1,2 bilhão. O documento prevê condições diferentes entre as categorias de credores.

Atletas do atual elenco poderão receber o valor integral em curto prazo – assim como mais categorias de credores. Outras podem ter deságio de até 95% da dívida.

A maioria dos pagamentos tem carência prevista e pode chegar 20 anos a depender da classe.

Veja os detalhes mais abaixo.

Botafogo busca aprovação de plano de recuperação judicial nos tribunais do Rio — Foto: André Durão

Botafogo busca aprovação de plano de recuperação judicial nos tribunais do Rio — Foto: André Durão

O plano precisa ser aprovado numa assembleia de credores, ainda sem data marcada. Depois, o plano deve ser homologado pela Justiça.

O processo da SAF Botafogo tramita na 2ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro.

Assinado pelo diretor da SAF Eduardo Iglesias, o texto de apresentação do plano diz que a SAF “permanece operacional e economicamente viável”, apesar da crise financeira e da disputa societária.

O dirigente afirma que “diversos investidores passaram a demonstrar interesse em conceder novas linhas de crédito e, até mesmo, em se tornar acionistas da RECUPERANDA, com compromissos de novos aportes e desenvolvimento das atividades”.

Acrescenta ainda que “desde que foi deferido o pedido cautelar, a SAF BOTAFOGO já contratou dois financiamentos DIP essenciais à manutenção de suas operações, um primeiro no valor de R$ 4,3 milhões e o segundo no valor de US$ 25 milhões, os quais foram determinantes para a manutenção em dia dos pagamentos de colaboradores e fornecedores essenciais, conforme autorizado pelo MM. Juízo da 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro”.

“O segundo financiamento, aliás, foi concedido por investidor que já manifestou publicamente seu interesse na aquisição da participação acionária então detida pela EAGLE BIDCO”.

A SAF BOTAFOGO propõe reestruturar sua operação e a dívida a partir de quatro pontos:

  1. reestruturação de dívidas, com a previsão de prazos de carência e pagamento, somados à aplicação de deságio, para a redução da alavancagem e alteração do perfil da dívida;
  2. injeção de liquidez via contratação de novas linhas de crédito a custo menor, alinhado ao seu novo perfil de risco após a reestruturação da dívida;
  3. eventual aumento de capital para utilização dos recursos aportados pelo novo investidor para melhoria do desempenho esportivo da SAF Botafogo, o que tem por consequência imediata o aumento de receitas;
  4. venda de direitos federativos e econômicos dos atletas que compõem seu valioso elenco, sempre observando a necessidade de manutenção do desempenho esportivo de excelência almejado pela gestão da SAF BOTAFOGO.

Resumo da proposta em categorias:

Classe I – crédito trabalhista:

  • deságio de 92%
  • carência de 12 meses a partir da data da homologação do plano
  • após a aplicação do deságio, o valor remanescente do Crédito Trabalhista até o limite de 150 (cento e cinquenta) Salários Mínimos será pago em parcela única, no dia útil subsequente ao fim do prazo de carência;

Créditos Trabalhistas – Atletas do Elenco Atual:

  • não haverá deságio
  • carência: 30 dias contados da data da homologação
  • parcela única no dia útil subsequente ao fim da carência;

Créditos Quirografários detidos por Atletas do Elenco Atual:

  • não há deságio
  • carência de 30 dias contados da homologação
  • parcela única no dia útil subsequente ao fim da carência

Credores Quirografários – Pagamento Linear:

Aqueles que detenham créditos quirografários até o valor de R$ 20 mil.

  • não haverá deságio
  • carência: início do pagamento em 35 dias após a homologação.
  • parcela única no primeiro dia útil subsequente ao fim da carência

Credores Fornecedores Parceiros:

  • não haverá deságio
  • carência de 30 dias contados da homologação
  • forma: pagamento de parcela inicial de R$ 20 mil ao fim da carência e saldo remanescente ao longo de 10 anos, com percentual de saldo do ano 1 de % e no ano 10, 21,5%

Credores Partes Relacionadas:

  • deságio de 95%
  • carência de 3 anos contados da homologação
  • forma de 17 (dezessete) parcelas anuais, a primeira com vencimento no primeiro dia útil subsequente ao fim da carência e pagamento ao longo de 20 anos, com percentual de saldo do ano 4 (ou seja, depois do três anos de carência) de 5% até os 10% no ano 20. Pagamentos em cima do “valor novado” – ou seja, valor da dívida reacordada do plano de RJ

Créditos Quirografários com Entidades de Administração de Modalidade Desportiva:

Os créditos detidos por Confederações, Federações ou Entidades de Administração de Modalidade Desportiva, nacionais ou internacionais. Entre elas, claro, a Fifa, onde o Alvinegro soma transfer bans.

  • não há deságio
  • carência de 30 dias contados da homologação
  • forma de 4 parcelas anuais, sendo a primeira devida no primeiro dia útil subsequente ao fim da carência. No ano 1, pagamento de 25% do valor novado. No ano 2, mais 25%, no 3, mais 35% e no 4, os finais 25% finais

Credores Quirografários Modalidade Geral:

  • deságio de 90% sobre o valor nominal do crédito
  • carência de 3 anos contados a partir da homologação
  • forma: 17 parcelas anuais, a primeira com vencimento no primeiro dia útil subsequente ao fim da carência, com pagamentos do 4º ao 17º ano com 5% do valor novado. Nos anos 18, 19 e 20, pagamento de 10% do valor novado

Credores ME e EPP Pagamento Linear:

São aqueles créditos detidos pelos Credores Microempresa e Empresas de Pequeno Porte.

  • não haverá deságio nessa modalidade de pagamento
  • carência: início do pagamento em 35 dias após a homologação
  • forma: parcela única no primeiro dia útil subsequente ao fim da carência

Credores Fornecedores Parceiros ME e EPP:

  • não haverá deságio
  • carência de 30 dias contados da homologação
  • forma: pagamento de parcela inicial no valor de R$ 20 mil no primeiro dia útil subsequente ao fim da carência, e o saldo remanescente do Crédito ME e EPP em 10 (dez) parcelas anuais, sendo a primeira devida em até 12 (doze) meses após o pagamento da parcela inicial. O percentual de saldo vai de 1% do ano 1 até 21,5% no ano 10
  • detalhe: entre os requisitos nesta categoria, o credor deverá ter prestado serviço, fornecido produtos ou mantido contrato ativo com a SAF Botafogo; manter ou retomar o fornecimento e/ou a prestação de serviços em condições comerciais compatíveis com as praticadas antes do pedido de recuperação judicial ou negociadas diretamente com a Recuperanda. Não adotar medidas de bloqueio, suspensão ou interrupção de fornecimento, em razão do não pagamento de Créditos Concursais. Entre outros requisitos, como, por exemplo, não apresentar oposição à Homologação Judicial do Plano e seus eventuais aditivos, por quaisquer meios, incluindo a interposição de recursos.

Credores ME e EPP Modalidade Geral (em outra categoria):

  • deságio de 90%
  • carência de 3 anos contados da homologação.
  • forma de 17 parcelas anuais, a primeira com vencimento no primeiro dia útil subsequente ao fim da carência. O pagamento do valor por ano começa no ano 4 em 5% e segue em 5% até o ano 17 do período de pagamento. No ano 18, 19 e 20, o pagamento é de 10% por ano.

O plano também prevê pagamento a credores na Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF, dividindo entre os acordos já estabelecidos e os novos, em tentativas de pagamento em planos coletivos ainda a serem aprovados na comissão da CBF.

Segundo a SAF, a crise no Botafogo foi provocada principalmente pelo sistema de caixa único que a Eagle operava sob o comando de John Textor. Além disso, o documento aponta a crise financeira do Lyon como outro favor para os problemas no clube carioca, junto as brigas societárias da Eagle.

Deu em GE
Ricardo Rosado de Holanda
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