Vacina 29/11/2021 18:15
“Proteção das vacinas provavelmente permanecerá forte”, diz especialista sobre Ômicron
Epidemiologista sul-africano afirma, no entanto, que nova variante parece de fato ser mais transmissível

As vacinas existentes contra a Covid-19 provavelmente são eficazes na prevenção de doenças graves e de internações causadas pela variante Ômicron do coronavírus, disse nesta segunda-feira (29) um dos maiores especialistas em doenças infecciosas da África do Sul.
O professor Salim Abdool Karim, que atuou como principal conselheiro do governo sul-africano durante a resposta inicial à pandemia, também disse que era muito cedo para dizer se a Ômicron levava a sintomas clínicos mais graves do que as variantes anteriores.
No entanto, ela parece mais transmissível e com maior probabilidade de infectar pessoas com imunidade após vacinação ou infecção anterior.
“Com base no que sabemos e como as outras variantes de preocupação reagiram à imunidade da vacina, podemos esperar que ainda veremos alta eficácia para a hospitalização e doença grave, e que a proteção das vacinas provavelmente permanecerá forte”, disse Abdool Karim em uma entrevista coletiva.
A prevenção de doenças graves é principalmente uma função das células T, que tem uma imunidade diferente da dos anticorpos, muitas vezes responsáveis por impedir infecções, “portanto, mesmo que haja alguma fuga dos anticorpos, é muito difícil escapar da imunidade às células T”, disse ele.
A descoberta da variante no sul do continente africano causou uma forte reação global, com países limitando as viagens da região e impondo outras restrições por medo de que ela pudesse se espalhar rapidamente, mesmo em populações vacinadas.
Em Genebra, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse na segunda-feira que a variante representava um risco global muito alto de surtos de infecção, embora fossem necessárias mais pesquisas para avaliar seu potencial para escapar da proteção contra a imunidade induzida por vacinas e por infecções anteriores.
No domingo, um médico sul-africano que foi um dos primeiros a suspeitar da presença de uma nova variante, disse que a Ômicron parece até o momento produzir sintomas leves.
Entretanto, Abdool Karim, professor da Universidade da África do Sul de KwaZulu-Natal e da Universidade de Columbia nos Estados Unidos, disse que era muito cedo para tirar conclusões definitivas, pois os médicos só podem comentar sobre os pacientes que eles tratam.
“Em termos de apresentação clínica, ainda não há dados suficientes”, disse ele.
O governo da África do Sul está fazendo todo o possível para preparar suas instalações de saúde para lidar com a variante, disse o ministro da Saúde do país, Joe Phaahla, em coletiva de imprensa.
Phaahla disse que as autoridades estavam se envolvendo com os países que impuseram restrições de viagem aos países do sul da África para tentar revertê-las.
A especialista em saúde pública Waasila Jassat disse, na mesma coletiva, que a província de Gauteng, a área central urbana onde os casos de Covid-19 aumentaram desde a descoberta da variante, não havia visto até agora um aumento no número de mortes causadas pela doença.
Deu em CNN

Descrição Jornalista
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