Por que sentimos vontade de assistir ao mesmo filme várias vezes? - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Psicologia 16/07/2026 04:59

Por que sentimos vontade de assistir ao mesmo filme várias vezes?

Por que sentimos vontade de assistir ao mesmo filme várias vezes?

Para isso, ele submeteu seus voluntários a estímulos diversos (fotografias, ideogramas, formas geométricas) apresentados com frequências variadas. Depois, os participantes avaliavam o quanto gostavam de cada estímulo. O resultado foi consistente: quanto mais vezes as pessoas tinham visto algo, maior era a tendência de gostar dele.

O estudo que resultou dessa experiência indica que quanto mais somos expostos a um estímulo, maior tende a ser nossa preferência por ele. Estudos posteriores por outros pesquisadores (como o psicólogo Rolf Reber) sugerem que isso pode acontecer porque a familiaridade traz uma sensação de segurança.

Ou seja: o cérebro gosta de encontrar coisas que já conhece, possivelmente porque elas exigem menos processamento, e esse menor esforço é entendido como algo positivo.

Isso explica por que gostamos de assistir ao mesmo filme várias vezes: a sensação de familiaridade traz também um sentimento de segurança, o que pode gerar sensação de bem-estar.

Meus amigos da ficção

Outros cientistas também estudaram o tema. A pesquisadora e professora de marketing Cristel Antonia Russell afirma que o consumo repetido é uma forma ativa de reconstrução de significado e identidade.

Isso porque o filme (ou série, ou livro, ou outro tipo de obra) repetido pode funcionar como uma zona emocional segura, ajudando a regular emoções diante de algum estresse do cotidiano, como a ansiedade com os estudos ou o trabalho. Ao ver esse conteúdo familiar, você se reconecta consigo mesmo.

Em um artigo intrigantemente intitulado “Spoilers de história não estragam histórias”, dois professores de psicologia da Universidade da Califórnia colocaram mais de 800 estudantes para ler livros e contos, mas já sabendo os finais das histórias, e comparou com pessoas que leram sem os spoilers.

A maioria dos voluntários avaliou as histórias de forma tão positiva quanto (e, em alguns casos, até mais positiva do que) os participantes que não conheciam os finais. Embora esse estudo seja sobre o efeito dos spoilers e não sobre repetição de consumo, ele ajuda a entender que pode existir prazer em saber o que vai acontecer.

Uma linha de pesquisa argumenta que algumas obras criam um mundo familiar ao qual retornamos. Em 1956, os sociólogos Donald Horton e Richard Wohl apresentaram o conceito de “interação parassocial”.

Basicamente, é a ideia de que as pessoas podem estabelecer relações afetivas com personagens fictícios, como se fossem pessoas no mundo real.

Isso ajuda a explicar por que ficamos tristes quando uma série acaba ou quando um personagem morre — a relação que estabelecemos com aquele universo vai muito além do entretenimento passivo. O cérebro realmente trata isso como uma relação social: pesquisas mostram que muitos dos mecanismos usados para processar amizades reais também são ativados em relações parassociais.

Isso ajuda a explicar a vontade de assistir de novo filmes e séries: não estamos apenas revendo a história, mas sim encontrando pessoas e lugares familiares.

Deu em Galileu
Ricardo Rosado de Holanda
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