Corrupção 10/09/2026 15:12
PF acha documento em que produtora de ‘Dark Horse’ relata sofrer pressões para delatar

Ao cumprir mandados de busca, nesta quinta-feira, contra Karina Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, os investigadores da Polícia Federal apreenderam um documento de quatro páginas em que empresária responsável pelo filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro, relata pressões que recebeu para delatar Flávio Bolsonaro.
O documento não apresenta provas, mas é uma declaração juramentada em que a empresária cita abordagens do empresário Fernando Sarney, de um pastor evangélico e de um jornalista que teriam tentando convencê-la a fechar um acordo de delação premiada para não ser prejudicada nas investigações sobre possíveis desvios de verbas do filme
Segundo Karina, o empresário do Maranhão e filho do ex-presidente José Sarney se apresentou como alguém que “possui grande proximidade com o ministro Flávio Dino” e que poderia oferecer apoio jurídico…caso a produtora decidisse delatar. ”
“No dia 20 de maio de 2026, fui procurada pelo Dr. Fernando Sarney. Não o atendi naquela oportunidade, tendo o contato efetivamente ocorrido apenas no dia 22 de maio de 2026, às 9h07.
Durante a conversa, o Dr. Fernando Sarney ofereceu-me apoio jurídico e afirmou possuir grande proximidade com o Ministro Flávio Dino.
Na mesma ocasião, declarou que poderia me apoiar caso eu tivesse interesse em realizar uma ‘delação premiada’”, diz o documento.
“Diante da abordagem, não manifestei interesse em realizar colaboração premiada, pois não identificava — e continuo não identificando — qualquer razão para adotar tal medida.
Minha posição sempre foi a de esclarecer os fatos mediante a apresentação dos documentos pertinentes e o regular exercício do direito de defesa”, segue Karina.
Ainda no documento, a empresária afirma que a referência à proximidade de Fernando Sarney com Dino “partiu exclusivamente do próprio Dr. Fernando Sarney”.
“Não presenciei qualquer conversa entre ambos e não possuo elementos próprios que me permitam afirmar que o Ministro tivesse conhecimento, participação ou envolvimento nesse contato.”, segue Karina.
Ao Radar, Fernando Sarney negou o episódio, disse que sequer conhece a empresária e afirmou que o relato “não faz sentido nenhum”.
Outro personagem que abordou Karina, segundo o documento, foi um pastor conhecido da empresária que “afirmou possuir proximidade com pessoas integrantes do Governo Federal e com ministros do Supremo Tribunal Federal.
“Relatou-me que teria conversado com pessoas ligadas a essas autoridades e que lhe teriam solicitado que entrasse em contato comigo para transmitir a possibilidade de realização de uma ‘delação premiada’, apresentada, segundo suas palavras, como uma forma de me retirar do risco de uma possível ‘complicação’.
Segundo o interlocutor, se eu fizesse uma ‘delação premiada’e eu não seria alvo de nenhuma operação policial”, segue Karina.
A conversa com o religioso se deu no dia 27 de agosto de 2026, às 11h22.
“Recebi ligação telefônica de um pastor e amigo de longa data, que demonstrou preocupação com minha situação”, registra a empresária.
O terceiro contato em que a produtora alega ter sido abordada com conselhos sobre uma possível delação se deu numa conversa com um jornalista que “já havia anteriormente formulado questionamentos relacionados à possibilidade de eu realizar uma delação premiada, no sentido de me incentivar a realizar tal procedimento”.
“Nesse novo contato, afirmou que eu estaria ‘servindo de bucha de canhão para o candidato’ em aparente referência ao contexto político relacionado aos fatos atualmente investigados, dando a entender que, se eu não fizesse nenhuma colaboração premiada, eu poderia ser alvo de medidas judiciai, relata Karina.
A empresária justifica no documento encontrado pela PF que a “proximidade temporal e a convergência temática entre esses contatos causaram-me preocupação e fundado receio quanto à possibilidade de que minha situação jurídica venha a sofrer interferências ou pressões externas de natureza política, especialmente diante da referência feita à celebração de colaboração premiada como meio para evitar uma possível ‘complicação’”.
“Segundo o contexto que me foi apresentado por tais interlocutores, se eu não fizesse uma delação premiada, assumindo que alguma irregularidade teria ocorrido na produção do filme, o que seria equivalente a dizer mentiras, eu poderia ser alvo de operações policiais contra a minha pessoa.
Como não cometi nenhuma irregularidade e como não fiz nenhuma delação premiada, tenho receio de que alguma operação policial possa ser realizada contra a minha pessoa por retaliação política e não porque cometi algum ilícito.
E estou registrando aqui aquilo que efetivamente me foi comunicado por terceiros, justamente para preservar contemporaneamente os fatos e permitir sua posterior verificação pelas autoridades competentes, caso necessário”, diz Karina.
Deu em Veja

Descrição Jornalista
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