Curiosidades 07/11/2025 17:33
Pesquisadores investigam caso de mineira que teria vivido 60 anos sem comer, beber ou dormir

A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) está conduzindo uma pesquisa científica em torno do caso de Floripes Dornellas de Jesus.
Popularmente conhecida como Lola, a mineira supostamente teria vivido mais de 60 anos sem ingerir alimentos ou água, dependendo exclusivamente da comunhão diária para sua sobrevivência.
Por essa razão, a Igreja Católica a reconheceu como Serva de Deus. O estudo é coordenado pelo Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde (Nupes) da instituição.
A mulher, que residia em Rio Pomba, no estado de Minas Gerais, ficou paraplégica na adolescência após cair de um pé de jabuticaba e, de acordo com relatos de familiares e membros da comunidade religiosa, passou os anos seguintes acamada.
Ela dizia não sentir fome, sede ou sono. Testemunhas asseguram que, até sua morte em 1999, única forma de “nutrição” que a idosa recebeu foi a hóstia consagrada durante a comunhão.
O interesse do Nupes pela investigação científica desse fenômeno espiritual reflete um compromisso com a análise rigorosa dos relatos que emergem da fé popular. O psiquiatra Alexander Moreira-Almeida, que coordena o núcleo, afirmou ao UOL: “nosso compromisso é com a investigação aberta e cuidadosa, sem assumir conclusões prévias”.
A pesquisa já obteve aprovação do Comitê de Ética da universidade e inclui uma variedade de fontes como entrevistas, registros médicos e documentos históricos relacionados à vida de Lola, obtidos através de familiares, profissionais da saúde e integrantes da comunidade religiosa local.
Segundo o portal O Globo, embora a história tenha um forte vínculo religioso, a abordagem adotada pelos pesquisadores é estritamente científica.
O objetivo é descobrir possíveis explicações fisiológicas, psicológicas ou psicossomáticas que possam justificar a alegada ausência de alimentação e sono. Entre as hipóteses levantadas estão distúrbios alimentares motivados por fatores espirituais, como anorexia nervosa religiosa, além da possibilidade de engano coletivo ou erros de observação ao longo dos anos.
O Dr. Alexander Moreira-Almeida enfatiza que atualmente não há mecanismos científicos conhecidos que sustentem a sobrevivência humana por um período tão prolongado sem ingestão adequada de calorias e nutrientes essenciais.
Ele reforça a necessidade de prudência e rigor metodológico na pesquisa:
“O que queremos é compreender o fenômeno, e não desacreditar nem confirmar nada”. Para alcançar esse objetivo, a equipe multidisciplinar é composta por médicos especializados em diversas áreas, incluindo o gastroenterologista Julio Chebli, ex-reitor da UFJF, e Cláudio Bomtempo, médico que acompanhou Lola durante cinco anos.

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