A manifestação que Alexandre de Moraes (foto) enviou a Edson Fachin para se posicionar sobre o relatório da Polícia Federal que o identificou como receptor de mensagens de Daniel Vorcaro deixa claro que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) não tem como se defender.
Mais uma vez, o ex-relator do inquérito das fake news se limitou a desqualificar o procedimento de análise das mensagens, a refutar as provas e a atacar André Mendonça, fazendo ilações que seu colega de STF não se aventurou a fazer ao encaminhar o relatório para o presidente do tribunal.
A manifestação de Moraes é mais uma tentativa de tumultuar o processo, o que ele vem fazendo há dias com o auxílio de Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.
Segundo o ministro, que acusa Mendonça de obstrução de Justiça por não ter liberado informações que não fazem qualquer diferença para o início de uma investigação, o colega “preferiu aguardar o momento político-eleitoral mais visível – véspera do comício de 7/9, para produzir sua farsa”.
Bizarro
A tentativa de Moraes de defesa pelo ataque é tão bizarra que ele volta a citar o relatório apócrifo da PF que usou para pedir investigação de Mendonça e chega a falar em “auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro, demonstrando clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026” ao se referir ao relatório da PF que o apontou como interlocutor de Vorcaro.
O grau de irresponsabilidade das aventureiras acusações de Moraes contra Mendonça dá a dimensão da dificuldade em que ele se encontra. E a investigação nem sequer começou formalmente.
O enrolado ministro chega a colocar o colega de STF no contexto do julgamento da trama golpista, para dizer que ele tenta “incriminar o Juiz relator das ações julgadas pela Primeira Turma contra a organização criminosa que tentou dar um Golpe de Estado no Brasil, abolindo o Estado Democrático de Direito”.
E o celular?
Moraes concentra sua defesa-ataque na negativa de que recebeu mensagens de Vorcaro. Bastaria, portanto, que ele entregasse seu aparelho de celular para provar que não houve conversa.
Mas ninguém sabe sequer se esse aparelho ainda existe, porque há meses que desconfia-se dessas mensagens, e o celular nunca foi apreendido. O problema, para Moraes, é que há outras mensagens, trocadas por outros investigados, que dão conta de que Vorcaro só contratou o escritório de advocacia da mulher do “careca” porque queria acesso a um ministro do STF.
E o pior é constatar que, depois de tudo o que foi revelado, esse ministro acredita que tem alguma condição de continuar sentado em uma cadeira do STF. Se a maioria de seus pares concordar com isso, a ponto de nem sequer abrir uma investigação, o tribunal também terá perdido o sentido.

