“Nossos resultados indicam claramente que não se trata apenas de estar em um relacionamento. A qualidade da relação é o fator decisivo para a nossa saúde emocional”, afirma Kislev, em comunicado à imprensa.
“Se um relacionamento é ruim ou mesmo apenas mediano em termos de qualidade, a satisfação com a vida e as emoções positivas de um indivíduo são significativamente menores do que se ele tivesse permanecido solteiro.”
Quando o relacionamento piora a saúde emocional
Para medir a qualidade das relações, os autores utilizaram uma escala de satisfação de 0 a 10. Relações avaliadas entre 0 e 3 foram classificadas como ruins; entre 4 e 6, moderadas; e, por fim, entre 7 e 10, boas.
Os pesquisadores observaram que participantes em relacionamentos classificados como ruins ou moderados relataram menos emoções positivas, menor satisfação com a vida e mais sentimentos negativos do que em períodos nos quais estavam solteiros.
Em contrapartida, indivíduos em relacionamentos considerados bons apresentaram os maiores índices de bem-estar emocional.
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Tais resultados também mostraram que, embora pessoas em qualquer relacionamento tendessem a sentir menos solidão do que solteiros, uniões negativas estavam associadas a níveis mais altos de tristeza, desânimo, depressão e melancolia.
Segundo os autores, a solidão parece funcionar de maneira distinta de outros indicadores emocionais. O estudo sugere que esse sentimento possui uma função social específica, ligada à necessidade humana de conexão e companhia íntima. Por isso, mesmo relações ruins ainda conseguem reduzir a sensação de isolamento.
Diferenças entre homens e mulheres
A pesquisa ainda identificou diferenças entre homens e mulheres. Os homens solteiros apresentaram níveis ligeiramente maiores de emoções negativas em comparação às mulheres solteiras, incluindo solidão, tristeza e depressão.
Já as mulheres solteiras relataram sentir menos segurança do que os homens na mesma condição. Para os pesquisadores, essa diferença pode refletir fatores históricos e culturais relacionados à percepção de proteção física e apoio emocional dentro das relações afetivas.
O que o estudo ainda não consegue responder
Outro dado relevante que chamou a atenção dos autores é o de que apenas cerca de 16% dos participantes estavam em relacionamentos classificados como ruins ou moderados ao longo das diferentes etapas do estudo. Segundo eles, isso provavelmente ocorre porque muitas pessoas tendem a encerrar relações percebidas como insatisfatórias antes que elas se prolonguem por muitos anos.
Apesar dos resultados, os autores reconhecem limitações importantes. O levantamento não diferencia tipos de solteirice — como pessoas solteiras por escolha, indivíduos entre relacionamentos ou aqueles que enfrentam dificuldades para encontrar parceiros. Além disso, os dados se concentram exclusivamente na população alemã, o que pode limitar comparações culturais mais amplas.
Mesmo assim, os autores afirmam que o estudo oferece evidências robustas de que mudanças no estado civil e, sobretudo, na qualidade dos relacionamentos afetam diretamente o bem-estar emocional ao longo do tempo.
Deu em Galileu

