Ciência 13/04/2022 10:00
Mais de 5.500 novos vírus são identificados no oceano, incluindo elo perdido evolutivo
Uma equipe de microbiologistas afiliada à Universidade Estadual de Ohio relata que identificou 5.504 espécies de vírus anteriormente desconhecidas, todas flutuando no oceano.

Os pesquisadores aprenderam a reconhecer as espécies virais pelos genes que lhes dão a capacidade de se multiplicar e variar um pouco de um tipo para outro.
Uma equipe de microbiologistas afiliada à Universidade Estadual de Ohio relata que identificou 5.504 espécies de vírus anteriormente desconhecidas, todas flutuando no oceano.
Nenhum desses microrganismos marinhos possui DNA, mas se distingue por seus ácidos ribonucleicos (RNA) codificadores, ou seja, são todos vírus de RNA, e a análise comparativa de seus genomas dobrou o número de divisões conhecidas dessa classe de vírus, passando de cinco a dez, conforme resumido pelos pesquisadores no “The Conversation”.
Na ausência de trechos curtos únicos de DNA, que normalmente permitem aos geneticistas identificarem e estabelecerem a relação entre organismos compostos de células, esta equipe de pesquisa decidiu encontrar em cada espécime sequenciada o gene que codifica uma determinada proteína, que permite então ao vírus replicar seu material genético.
É um trecho do genoma que todos os vírus de RNA compartilham, porque desempenha um papel fundamental na forma como eles se espalham. No entanto, cada espécie tem pequenas diferenças moleculares nesse trecho, e os pesquisadores decidiram focar nessas diferenças para distinguir um tipo do outro.
Sem essa nova abordagem, que a equipe detalhou em um artigo publicado na revista Science em 7 de abril, classificar a crescente diversidade desses microrganismos teria sido um desafio, dizem os autores.
O material submetido ao sequenciamento genômico havia sido coletado ao longo de vários anos de trabalho do iate de expedição científica Tara, que carrega um laboratório a bordo. Para comemorar a contribuição deste navio, os cientistas deram o nome de “Taraviricota” a um dos novos e mais abundantes filos (ou divisões) em vastas regiões oceânicas, com preferência em regiões com zonas temperadas e águas tropicais. Por sua vez, o filo que habita o oceano Ártico foi batizado como “Arctiviricota”.
Os microbiologistas acreditam que o Taraviricota pode ser o elo perdido — e procurado por muitos anos — na evolução dos vírus de RNA. Graças à descoberta, é possível conectar dois ramos diferentes conhecidos na diversidade dessa classe de microrganismos, ambos divergentes na maneira como se replicam.
O novo material sequenciado ajuda os cientistas a entender melhor não apenas a história evolutiva dos vírus, mas também a gênese do início da vida na Terra, já que alguns dos vírus de RNA podem ter aparecido antes da primeira célula ter sido sintetizada.
Deu em Jornal do Brasil/Sputnik Brasil)

Descrição Jornalista
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