Arqueologia 12/10/2025 19:42
Homem derruba uma parede no porão e descobre a entrada de Derinkuyu, uma cidade subterrânea de 18 andares para 20 mil pessoas na Turquia

Em 1963, um morador da Capadócia, na Turquia, viveu um dos episódios mais inesperados da história arqueológica moderna.
Ao derrubar uma parede em seu porão para investigar o desaparecimento de suas galinhas, o homem descobriu a entrada para Derinkuyu, uma cidade subterrânea de 18 andares, com túneis, igrejas, escolas, vinícolas e moradias que podiam abrigar até 20 mil pessoas.
O achado acidental revelou um complexo milenar impressionante, esculpido em rocha vulcânica, que serviu como refúgio para povos inteiros durante guerras e perseguições religiosas.
Décadas depois, Derinkuyu seria reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Mundial, tornando-se um símbolo da engenhosidade e da resistência das civilizações antigas.
O caso começou quando o morador da pequena cidade de Nevşehir, na região central da Capadócia, percebeu que suas galinhas estavam desaparecendo por uma fenda na parede do porão.
Curioso, decidiu derrubar a parede com ferramentas domésticas e encontrou um túnel estreito que levava a um corredor escuro e profundo, completamente diferente de qualquer estrutura moderna.
À medida que avançava, percebeu que se tratava de uma passagem antiga, com salas esculpidas na rocha e aberturas que pareciam levar a outros níveis.
O local, logo reconhecido por arqueólogos, era uma das 600 entradas de Derinkuyu, a maior cidade subterrânea conhecida da Turquia.

Com cerca de 85 metros de profundidade e 18 níveis interligados, Derinkuyu impressiona pela complexidade.
Esculpida em rocha vulcânica macia, a cidade possui túneis estreitos e passagens labirínticas projetadas tanto para moradia quanto para defesa.
Os registros arqueológicos indicam que Derinkuyu abrigava até 20 mil pessoas simultaneamente, além de seus animais e mantimentos.
Havia casas, escolas missionárias, igrejas, estábulos, depósitos de alimentos, adegas e cozinhas.
O sistema de ventilação, com mais de 50 dutos e um eixo central de 55 metros, garantia a circulação de ar fresco mesmo nos níveis mais profundos.
A cidade também possuía poços de água independentes, que não se conectavam à superfície para evitar envenenamentos durante cercos inimigos uma estratégia de sobrevivência que mostra o alto grau de planejamento dos construtores.

Além de ser um refúgio, Derinkuyu era uma fortaleza subterrânea. As passagens eram propositalmente estreitas, obrigando invasores a avançarem em fila única, o que facilitava sua neutralização.
Em pontos estratégicos, portas circulares de pedra, com até 500 kg, podiam ser roladas para bloquear completamente o avanço dos inimigos.
Essas portas, que só podiam ser abertas por dentro, protegiam centenas de câmaras e salas ocultas.
Em muitos túneis, havia armadilhas e rotas de fuga, o que indica uma estrutura militar e civil altamente organizada.
A engenharia de Derinkuyu é tão avançada que pesquisadores acreditam que a construção original remonta ao século VIII a.C., provavelmente iniciada pelos frígios e posteriormente ampliada por hititas e bizantinos.
Durante o período bizantino, Derinkuyu foi usada como refúgio por cristãos que fugiam das perseguições romanas e, mais tarde, das invasões árabes.
As escavações revelaram igrejas subterrâneas com altares, cruzes esculpidas e salas de batismo, o que demonstra seu papel como abrigo espiritual.
A cidade funcionava como uma comunidade autossuficiente: armazenava grãos, fabricava vinho, abrigava escolas missionárias e possuía espaços comuns de convivência.
Por mais de dois mil anos, Derinkuyu foi habitada por diferentes povos, sobrevivendo a guerras e mudanças de império até ser completamente abandonada na década de 1920, quando a população grega foi expulsa da região.

Redescoberta oficialmente em 1963 e aberta ao público duas décadas depois, Derinkuyu tornou-se um dos principais atrativos arqueológicos da Turquia.
Em 1985, foi declarada Patrimônio Mundial da UNESCO, junto com o Parque Nacional de Göreme.
Hoje, apenas oito dos dezoito andares estão abertos para visitação, mas estimativas sugerem que a rede subterrânea da Capadócia ultrapasse 200 cidades interligadas por túneis de até nove quilômetros de extensão.
A história de Derinkuyu mostra que a arqueologia ainda reserva descobertas capazes de redefinir nossa compreensão sobre o passado humano e que a engenhosidade de civilizações antigas continua a desafiar a tecnologia moderna.
Deu em CPG

Descrição Jornalista
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