
Futebol 20/09/2026 16:01
Análise: Botafogo escancara problemas na estreia de Tite e ganha tempo para mudar a rota

Se Tite estava com saudade de trabalhar, foi exatamente isso que ele encontrou no Botafogo. A derrota para o Mirassol por 2 a 0, no sábado, no interior de São Paulo, pelo Brasileirão, evidenciou o tamanho do desafio que o treinador de 65 anos terá pela frente.
O primeiro tempo mostrou um Botafogo burocrático como tem sido, principalmente, depois da Copa do Mundo. Na segunda metade do jogo, no entanto, o time deixou a esperança de dias melhores com a chegada de Zieych e de um treinador inquieto para apresentar um bom futebol.
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Botafogo posado contra o Mirassol — Foto: Vitor Silva / Botafogo
Os 16 dias sem jogos servirão como uma importante intertemporada para o Botafogo, de olho nas últimas dez rodadas do Brasileirão. Antes do complemento da rodada, o time está a nove pontos da zona de classificação para a Libertadores e a sete do rebaixamento.
Tite chega respaldado pelo currículo para construir a identidade de um Botafogo que teve três treinadores neste ano e apenas ensaiou ser o time competitivo que se esperava. É um período de reconstrução e, antes de tudo, de paciência.
Se a primeira impressão é a que fica…
A primeira escalação do Botafogo na era Tite foi: Gabriel Batista; Vitinho, Lucas Monzón, Ferraresi e Alex Telles; Huguinho, Medina, Danilo e Montoro; Danilo Pereira e Arthur Cabral.
Uma das principais orientações de Tite no primeiro tempo em Mirassol foi explorar Medina fazendo dobradinha com Vitinho na direita. O treinador pediu muito que o volante argentino fosse acionado e tivesse a condução da bola, sempre preocupado com as subidas do Mirassol pelo lado esquerdo.
E foi justamente a partir de uma jogada iniciada na esquerda do seu ataque que o Mirassol abriu o placar aos 15 minutos. Um cruzamento nas costas de Alex Telles, e Edson Carioca conseguiu o cabeceio. Gabriel Batista deu rebote e o atacante serviu Eduardo, ex-jogador do Botafogo, que bateu da marca do pênalti para marcar.
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Estreia do Tite pelo Botafogo contra o Mirassol — Foto: Vitor Silva / Botafogo
O que se viu do Botafogo no primeiro tempo foi um time com mais posse de bola, mas sem saber muito o que fazer com ela. Passes longos, transições lentas e cruzamentos forçados na área acabaram facilitando a marcação do Mirassol.
Nos acréscimos do primeiro tempo, novamente em jogada nas costas de Alex Telles, Edson Carioca fez cruzamento rasteiro, Monzón não conseguiu fazer o corte e a bola sobrou para Eduardo, que novamente fez gol livre de marcação dentro da área.
O Botafogo encerrou os primeiros 45 minutos sob o comando do novo treinador com 55% de posse de bola, cinco finalizações (duas dela no alvo), mais passes trocados e derrota parcial por dois gols de diferença. O futebol, neste caso, vai muito além dos números.
Mudanças que indicam o futuro
A tentativa de mudança de uma nova versão do Botafogo proposta por Tite já pôde ser vista na volta do intervalo. Edenílson, Júnior Santos e o marroquinho Zieych entraram nos lugares de Huguinho, Danilo Pereira e Montoro. Em coletiva, o treinador falou sobre as questões físicas depois do jogo contra o Grêmio, no meio da semana.
A tentativa de Tite de manter o controle da bola, mas aliado a um valor volume de jogo e chances criadas, surtiu efeito. Nos primeiros minutos do segundo tempo, o time teve maior presença ofensiva e uma pequena blitz contra o Mirassol.
Aos nove minutos, uma jogada que exemplifica o que Tite deseja para o seu Botafogo. Medina recebeu bom passe de Zieych na direita e invadiu a área costurando a defesa do Mirassol até conseguir finalizar nas mãos do goleiro Walter.
A quarta mudança de Tite veio na sequência. Arthur Cabral deixou o campo para a entrada de Villalba. A proposta era seguir pressionando o Mirassol e encurralar o time do interior paulista no seu campo. Kauan Toledo ainda entrou no lugar de Medina.

As mudanças não surtiram efeito no placar, mas mostraram que é possível jogar um melhor futebol. A estreia de Zieych é um importante indício de que Tite deve dar uma nova dinâmica ao meio de campo, com Medina e Danilo sendo fundamentais nessa construção para transformar o controle da bola em chances criadas.
Tite estreou com derrota, mas mostrou que está atento ao que inicialmente o Botafogo apresentou de deficiências nos primeiros dias de trabalho. Agora, o treinador terá duas semanas sem jogos para ajustes, implementação de ideias e começar a dar a sua cara a um time que até esta altura da temporada ainda não registrou sua marca.

Descrição Jornalista
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