Em Florianópolis, presidente revela motivação pessoal para buscar novo mandato e ataca família Bolsonaro
Durante comício realizado na praça Tancredo Neves, no centro de Florianópolis (SC), neste sábado (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou clara uma motivação que vai além de propostas para o país.
Em discurso inflamado, o petista declarou abertamente que deseja vencer a reeleição para “manter Bolsonaro na cadeia” — uma fala que escancara o tom de vingança pessoal na disputa pelo Palácio do Planalto.
Ataques diretos a Flávio Bolsonaro e à família do ex-presidente
Lula mirou também em Flávio Bolsonaro (PL), adversário na corrida eleitoral. Segundo o presidente, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro teria como principal objetivo na disputa “tirar o pai de cadeia”.
As provocações não pararam por aí: Lula acusou o adversário de envolvimento na chamada “quadrilha do INSS” e de participação nos escândalos relacionados ao caso Master.
Em referência ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master, o presidente repetiu uma frase que já havia utilizado anteriormente:
“Eles transformaram Vorcaro em banqueiro. Nós, em prisioneiro”. Lula defendeu que o STF (Supremo Tribunal Federal) investigue o caso a fundo e afirmou que os brasileiros “merecem saber a verdade”. “Se a gente não mexer com isso, não conserta esse país”, completou.
Soberania nacional e alfinetadas no alinhamento com Trump
O discurso na capital catarinense também abordou a questão da soberania nacional. Lula relembrou o alinhamento da família Bolsonaro com o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, e criticou o que considera uma submissão a interesses estrangeiros.
Propostas apresentadas no palanque: Redata e minerais estratégicos
Entre uma provocação e outra, Lula também apresentou propostas durante o comício. Destacou o projeto Redata, voltado a incentivar investimentos em data centers no território nacional, e falou sobre a legalização de minerais críticos e terras raras.
O candidato à reeleição defendeu a necessidade de o Brasil investir em conhecimento e tecnologias capazes de explorar seus recursos minerais e aproveitar o potencial para instalação de centros de dados. “Nos próximos quatro anos, esse país não vai estar devendo nada em termos de educação”, afirmou.
Disputa acirrada em Santa Catarina
A agenda de campanha em Santa Catarina não foi exclusividade de Lula. Flávio Bolsonaro também cumpriu compromissos eleitorais no estado no mesmo dia, evidenciando que o território catarinense se tornou palco central da polarização nas Eleições 2026.
O tom adotado pelo presidente no palanque, contudo, reforça a percepção de que a motivação central de sua candidatura passa menos por um projeto de transformação para o povo brasileiro e mais por um acerto de contas pessoal com o adversário político.

