Filarmônica UFRN na China: músicos realizam intercâmbio cultural e levam referências nordestinas ao público chinês - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Música 11/09/2026 05:16

Filarmônica UFRN na China: músicos realizam intercâmbio cultural e levam referências nordestinas ao público chinês

Filarmônica UFRN na China: músicos realizam intercâmbio cultural e levam referências nordestinas ao público chinês

Foram dias de músicas, encontros, descobertas, trocas e cooperação entre Brasil e China por meio da Filarmônica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A orquestra atravessou cidades, conheceu novos públicos e levou consigo parte da música potiguar e brasileira. Agora, a turnê pelo país asiático chega ao fim. Na bagagem, ficam as experiências vividas nos palcos e, principalmente, fora deles.

Durante a turnê, além de Pequim, a Filarmônica passou pelas cidades Hangzhou e Changsha, com performances em diferentes espaços, como o Jinshahu Grand Theatre e o Museu do Grande Canal da China.

Um dos destaques foi o Concerto Conjunto China-Brasil-EUA na Zhejiang International Studies University (ZISU), que reuniu a Filarmônica UFRN, o Grupo de Flautas do Norte da Califórnia e professores e estudantes da ZISU.

Na Beijing Language and Culture University (BLCU), onde a delegação ficou hospedada, a Filarmônica realizou seu primeiro concerto em Pequim. Na apresentação, o estudante Renan Julião Grimaldi, graduando em Piano pela Escola de Música (EMUFRN), teve a oportunidade de reger novamente a orquestra na execução da Abertura ABC do Sertão, obra baseada na canção homônima de Luiz Gonzaga e composta por Willames Costa, aluno do PPG e contrabaixista da Filarmônica da UFRN.

“Essa viagem foi um sonho realizado, então poder estar à frente da orquestra fazendo o que eu gosto de fazer foi maravilhoso, foi transformador”, conta Renan.

O estudante Renan Julião durante a regência da orquestra em Pequim. Foto: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN

A Filarmônica é regida pelo maestro e professor da EMUFRN, André Muniz, que acompanha o grupo desde sua criação.

Para ele, a preparação foi um dos fatores que garantiram segurança e confiança aos músicos durante as apresentações.

“Não tem nada melhor do que a gente ter a certeza de que foi uma preparação contínua, com metodologia. A gente teve condição de fazer esse mesmo repertório duas vezes no Brasil, então isso nos dá uma certa paz”, afirmou André. O músico também destacou a experiência de se apresentar em grandes salas de concertos na China: “estar numa sala de concerto deste calibre sempre é uma coisa muito excitante, que enche o coração de qualquer músico que ama o que faz”.

DNA potiguar em Pequim 

Apresentação da Filarmônica UFRN em Pequim. Foto: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN

A apresentação no Teatro da Ópera Nacional da China, um dos momentos mais memoráveis da viagem, contou com a presença do embaixador do Brasil no país anfitrião, Marcos Bezerra Abbott Galvão, que recebeu a delegação ao final do concerto.

Filho do diplomata natalense Fernando Abbott Galvão, o embaixador falou sobre a relação entre a apresentação e a oportunidade de levar referências nordestinas ao público chinês.

O embaixador do Brasil, Marcos Bezerra Abbott Galvão, na China, acompanhado da esposa, Ana Bezerra, e de integrantes do corpo diplomático, recepcionou os professores e alunos da EMUFRN. Foto: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN

“Como potiguar, eu não posso deixar de sentir orgulho e emoção como meu pai estaria e minha família toda estaria de ver o que a gente está vendo aqui hoje […]. Este é o Ano Cultural Brasil-China, e a gente fez este ano porque nós sabemos que o Brasil sabe pouco da China e a China sabe menos ainda do Brasil […]. Para um nordestino e para um potiguar, ver essa orquestra tocar peças de nossa região para mostrar aos chineses o Nordeste é sensacional”, comentou o embaixador.

Brasileiros na plateia 

A música também proporcionou um reencontro com a pátria. Henrique Afonso, Giovana Gonçales, Bianca Perim e William Silva são brasileiros que moram em Pequim e acompanharam as apresentações da Filarmônica da UFRN.

Para eles, ouvir uma orquestra brasileira do outro lado do mundo trouxe uma sensação de proximidade com o país de origem. “Um pouco de saudade, misturada com uma animação de sentir a sensação de estar no Brasil de novo, por um momento”, conta Henrique.

Os brasileiros Henrique Afonso, Giovana Gonçales, Bianca Perim e William Silva acompanharam a apresentação da Filarmônica em Pequim. Foto: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN

A presença da Filarmônica também despertou orgulho no grupo. “Dá uma sensação de pertencimento, de ver brasileiros mostrando a nossa arte para o mundo”, festeja Giovana Gonçales. Bianca completa:

“Pra mim é muito orgulho poder mostrar como a gente tem músicos excelentes e como eles se esforçam para continuar tocando”.

Benefícios para a Universidade 

Para Durval Cesetti, professor da EMUFRN e integrante da Filarmônica, os efeitos da viagem serão percebidos nos estudantes ao longo do tempo.

Na perspectiva institucional, Durval relacionou a experiência à internacionalização da UFRN. “Acho que traz visibilidade, fortalece as relações com a China e a internacionalização da universidade”, afirma.

A viagem foi encerrada com a participação da Filarmônica no jantar de celebração dos 204 anos da Independência do Brasil, oferecido pela Embaixada Brasileira na noite de 7 de setembro.  Também integram a comitiva UFRN na China, a professora da EMUFRN,  Nan Qi, a produtora cultural Fernanda Ferreira e o repórter fotográfico da Agecom, Cícero Oliveira.

Fortalecer e ampliar a internacionalização por meio de parcerias estrangeiras são objetivos institucionais previstos no Plano de Gestão 2023-2027 da UFRN, com foco nos indicadores 12 (Mobilidade internacional docente) e 13 (Número de ações artísticas e culturais).

Deu no Portal da UFRN

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista