Editorial 23/03/2025 08:16
Estadão critica Moraes por condenar cidadã que “nem deveria ter sido julgada pelo STF”

O jornal Estadão publicou neste sábado (22) um artigo crítico à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que votou pela condenação da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos a 14 anos de prisão por participação nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Débora ganhou notoriedade após escrever com batom a frase “perdeu, mané” na Estátua da Justiça, localizada em frente à sede do STF, durante a invasão às sedes dos Três Poderes. A expressão é uma referência à frase dita pelo ministro Luís Roberto Barroso, dirigida a um manifestante em Nova York, em 2022.
O artigo de opinião afirma que “isso não é justiça”, classificando a condenação como um “flagrante exagero que desmoraliza o Judiciário”. O Estadão destaca que a ré “nem sequer deveria ter sido julgada pelo STF”, dado que não exerce foro privilegiado, e que sua conduta não se compara à de criminosos que praticam delitos de maior gravidade.
“Na tarde de ontem, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes votou para condenar a sra. Débora Rodrigues dos Santos a 14 anos de prisão. A cabeleireira de Paulínia, cidade do interior de São Paulo, não cometeu um crime de sangue. Tampouco aplicou um grave golpe na praça ou desviou milhões de reais em recursos públicos, como tantos que caminham livremente pelas ruas País afora. Armada com um batom, a ré pichou, na estátua da Justiça em frente à sede da Corte durante os atos golpistas no 8 de Janeiro, os dizeres “Perdeu, mané” – uma referência à infeliz frase dita pelo presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, a um bolsonarista que o admoestou em Nova York, em novembro de 2022.”
O jornal também apontou como excessiva a tipificação penal adotada pelo STF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Para o Ministério Público, Débora cometeu cinco crimes:
“No mundo da justiça e da sensatez, foi este, e apenas este, o seu crime”, afirma o texto.
Ao final do artigo, o Estadão defende que o STF reflita profundamente sobre a real gravidade da conduta da acusada. O jornal lembrou ainda que Débora já pediu desculpas por escrito tanto ao tribunal quanto à população brasileira.
“No caso concreto de Débora dos Santos, o STF deve refletir profundamente sobre a real gravidade de sua conduta, da qual a ré já se desculpou por escrito tanto à Corte como à Nação”, conclui o editorial.

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