Corrupção 02/08/2026 12:34
Empresa ligada a Wagner dividia sala e contatos com outros 19 CNPJs

Uma empresa ligada ao núcleo familiar do senador e ex-líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), compartilhava endereço, telefone e e-mail com outras 19 pessoas jurídicas, segundo relatório da Polícia Federal no âmbito das investigações sobre o Banco Master.
Os documentos foram tornados públicos pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), na quinta-feira (30).
A BN Representações Tecnológicas tem como única sócia Bonnie Toaldo Bonilha, mulher de Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Wagner e secretário de Meio Ambiente da Bahia.
Fundada em 2019 sob o nome Vamos Florir Comércio de Flores, a empresa atuava originalmente na venda de plantas, ornamentação e organização de eventos. Em janeiro de 2026, mudou de razão social, passou a atuar no setor de tecnologia e transferiu sua sede de Salvador para o município de Igaporã, no interior baiano.
No novo endereço, a PF identificou outros 20 CNPJs registrados na mesma sala comercial. Desses, 19 utilizavam o mesmo telefone e o mesmo e-mail da BN Representações, que, segundo a investigação, não tinha histórico de funcionários formalmente registrados.
Dezessete das empresas instaladas no local compartilhavam ainda o mesmo contador, Kilson Moura Lomanto, que também figurava como responsável contábil da BN Financeira — outra empresa ligada a Bonnie e igualmente investigada no caso.
Rede de empresas
A BN Representações é uma das seis empresas analisadas pela PF por seus vínculos societários ou pessoais com familiares e pessoas próximas a Jaques Wagner.
Na representação enviada ao STF, a corporação afirma que supostas vantagens destinadas ao senador e a seu núcleo familiar teriam sido movimentadas por meio de uma rede de fundos, empresas e pessoas interpostas.
Os investigadores descrevem a estrutura como um “mosaico de pessoas físicas e jurídicas” que teria sido usado pelo grupo Master para lavagem de dinheiro e dissimulação de pagamentos. A análise abrange a possível aquisição de um apartamento de R$ 2,45 milhões para Wagner e os repasses feitos à BN Financeira.
Pagamentos à BN Financeira
A BN Financeira aparece diretamente nas cobranças feitas por Eduardo Sodré a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, e nos pagamentos sob investigação da PF.
Segundo a corporação, a empresa foi criada em 2021, com capital social de R$ 45 mil. A PF aponta, porém, que se tratava de uma empresa recém-constituída, com capacidade operacional aparentemente limitada e sem histórico que justificasse sua contratação por uma instituição do porte do Master.
A hipótese dos investigadores é que os contratos tenham sido elaborados para conferir aparência de legalidade a transferências que não corresponderiam a serviços efetivamente prestados.
Em outubro de 2025, a BN Financeira recebeu R$ 3,5 milhões da PKL One Participações, empresa ligada ao núcleo de Augusto Lima.
Deu em CNN

Descrição Jornalista
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