Crédito 20/04/2026 16:43
Dois em cada três brasileiros têm dívidas com juros altos, diz pesquisa

Dois em cada três brasileiros tentam equilibrar o orçamento doméstico com dívidas pelas quais pagam juros de dois, três dígitos. A informação consta de pesquisa do Instituto DataFolha, na qual 67% da população afirmam ter algum tipo de contrato de crédito, como empréstimos, financiamentos ou parcelamentos. Desse total, 21% dizem estar com pagamentos em atraso.
O peso do crédito escorchante e da renda comprimida sobre o orçamento das famílias é representado no levantamento feito entre os dias 8 e 9 de abril com 2.002 pessoas de 16 anos ou mais em 117 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O estudo também mostra que o problema não se restringe às dívidas bancárias. Há um ambiente disseminado de aperto financeiro, cortes de consumo e sensação de perda de bem-estar, em meio à alta do custo de vida e à dependência crescente do crédito.
Entre os brasileiros que recorreram a empréstimos com amigos e familiares, 41% disseram estar devendo. Já no caso do cartão de crédito parcelado, 29% dos endividados nessa modalidade relataram inadimplência. Em seguida aparecem os empréstimos em banco, com 26%, e os carnês de lojas, com 25%.
Outro dado que chama atenção é o uso do crédito rotativo, uma das modalidades mais caras do mercado. Segundo o Datafolha, 27% dos entrevistados afirmam usar o rotativo com diferentes graus de frequência. Desse grupo, 5% dizem recorrer a esse mecanismo com alta frequência, enquanto 22% o utilizam às vezes ou raramente.
O crédito rotativo é acionado automaticamente quando o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura do cartão, empurrando o restante da dívida para frente com juros elevados. De acordo com dados do Banco Central (BC), essa linha cobra, em média, juros mensais de 14,9%, embora desde 2024 exista uma norma que limita a dívida do cartão ao dobro do valor original.
O Datafolha também estruturou um índice de aperto financeiro com base em oito tipos de restrição recentes no orçamento, como redução de consumo, atraso em contas, inadimplência e mudança de hábitos.
O resultado mostra que 27% dos brasileiros vivem uma situação financeira classificada como apertada, enquanto 18% enfrentam condições severas. Somados, os dois grupos chegam a 45% da população. Outros 36% se encaixam na categoria moderada. Apenas 19% foram classificados como isentos ou leves, isto é, com nenhuma ou apenas uma restrição identificada.
O dado indica as razões por que o mal-estar econômico vai além dos indicadores formais de renda. Mesmo quando há algum ganho nominal, o comprometimento crescente com dívidas, contas e crédito corrói a sensação de segurança material.
Deu em Correio do Brasil

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