Terra 03/11/2025 14:12
Assustador: cientistas observam placa tectônica se despedaçando no oceano

Imagine a crosta da Terra como um gigantesco quebra-cabeça. As peças são as placas tectônicas, enormes blocos de rocha que se movem lentamente, colidem e mergulham umas sob as outras. É nesse movimento que nascem montanhas, vulcões e terremotos.
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Agora, pela primeira vez, cientistas registraram uma dessas peças literalmente se rasgando em pedaços sob o oceano. O achado foi publicado nesta semana na revista Science Advances e liderado por pesquisadores da Universidade Estadual da Louisiana (LSU), nos Estados Unidos.
O estudo mostra um processo que nunca havia sido visto antes: a “morte” lenta de uma zona de subducção, uma das engrenagens que movem o planeta.
Essas zonas são os locais onde uma placa tectônica, geralmente oceânica, mergulha sob outra. Elas são responsáveis por alguns dos fenômenos mais poderosos da Terra, como grandes terremotos, erupções vulcânicas e a reciclagem da crosta terrestre.
A descoberta foi feita na região de Cascadia, na costa do Pacífico Noroeste, perto da Ilha de Vancouver, no Canadá. Ali, as placas Juan de Fuca e Explorer estão lentamente mergulhando sob a placa norte-americana, um processo que os cientistas agora perceberam que está chegando ao fim.
Usando uma técnica chamada imagem sísmica de reflexão, que funciona como um ultrassom do interior da Terra, os pesquisadores criaram um retrato detalhado do que acontece abaixo do fundo do mar. O resultado: o “motor tectônico” da região está literalmente se partindo.
“Estamos vendo a Terra se transformando diante dos nossos olhos”, disse o geólogo Brandon Shuck, autor principal do estudo. “É como assistir a um trem descarrilar, mas em câmera muito, muito lenta”, acrescento
O estudo revela que o fim de uma zona de subducção não é um evento explosivo, e sim um processo gradual que pode durar milhões de anos.
Até agora, os geólogos só conseguiam imaginar como uma zona de subducção chegava ao fim.
Com as novas imagens, eles finalmente viram o processo acontecendo, e isso ajuda a explicar vários mistérios do passado geológico da Terra.
Além disso, o rasgamento lento observado em Cascadia pode explicar antigas microplacas fossilizadas, como as que existem na Baixa Califórnia, remanescentes da antiga placa Farallon.
Também pode ajudar a entender por que há vulcões isolados surgindo em lugares aparentemente aleatórios: quando uma placa se rompe, ela abre “janelas” que permitem que o magma suba do interior da Terra.
Apesar de chamar a atenção, a descoberta não significa que a região esteja prestes a se partir.
Os cientistas reforçam que o processo é extremamente lento, leva milhões de anos para uma placa morrer.
Mesmo assim, a região de Cascadia continua sendo uma das mais perigosas do planeta, com potencial para gerar terremotos e tsunamis gigantes.
“Entender como essas zonas se fragmentam é essencial para prever o futuro da atividade sísmica”, explicou Shuck. “Isso nos ajuda a entender onde a Terra ainda está viva, e onde ela está começando a parar.”
A descoberta mostra que, mesmo nos lugares mais estáveis, a Terra nunca está parada. Os mesmos processos que criam continentes também os destroem.
As placas nascem, vivem e morrem, e, nesse ciclo, o planeta se renova. “Estamos testemunhando o fim de uma era tectônica e o nascimento de uma nova”, resume Shuck.
Deu em Correio Braziliense

Descrição Jornalista
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