Chega ao Brasil novo exame de sangue que pode identificar 50 tipos de câncer - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Saúde 07/10/2026 14:24

Chega ao Brasil novo exame de sangue que pode identificar 50 tipos de câncer

Chega ao Brasil novo exame de sangue que pode identificar 50 tipos de câncer

Sua principal indicação é para pessoas assintomáticas com 50 anos ou mais, especialmente aquelas com maior chance de desenvolver câncer – por histórico familiar, predisposição genética ou comportamentos de risco (como sedentarismo e tabagismo).

O teste também chama atenção por ampliar a possibilidade de investigação de alguns tipos de tumores para os quais não existem exames de rastreamento de rotina, como os de pâncreas, fígado e ovário.

A novidade chega em um momento de crescimento dos casos da enfermidade no país. De acordo com o relatório Estimativa, do INCA (Instituto Nacional de Câncer), o Brasil deve registrar 781 mil novos casos de tumores malignos por ano entre 2026 e 2028.

“Quanto mais cedo um tumor é identificado, maiores tendem a ser as chances de tratamento, controle e até cura da doença. Por isso a biópsia líquida para detecção precoce é tão promissora”, afirma Nam Jin Kim, diretor médico de Oncologia e Hematologia do Einstein, em comunicado enviado à imprensa.

Como o exame funciona

O Galleri é uma biópsia líquida, que analisa DNA livre circulante no sangue. Basicamente, o exame procura padrões de metilação e alterações químicas que diferem daqueles tipicamente encontrados em células normais. A partir daí, o sistema busca sinais compatíveis com câncer e estima o órgão ou tecido onde o tumor pode ter se originado.

O teste difere de uma biópsia convencional por não exigir a retirada de um fragmento da lesão para avaliação em laboratório.

Vale destacar, porém, que a capacidade de detecção não é igual para todos os tumores. Alguns liberam mais DNA na corrente sanguínea, enquanto outros liberam menos, o que influencia o resultado.

O câncer de pâncreas, por exemplo, tende a liberar mais DNA tumoral no sangue do que o câncer de tireoide, assim, facilitando o seu reconhecimento por meio do novo exame.

Trata-se do primeiro teste comercial de detecção precoce multicâncer disponível no Brasil — Foto: GRAIL
Trata-se do primeiro teste comercial de detecção precoce multicâncer disponível no Brasil — Foto: GRAIL

Segundo os responsáveis pelo Galleri, ele é um exame de rastreamento, não um teste que confirma a existência de câncer. Quando encontra um sinal suspeito, o resultado aponta uma possível origem e orienta a realização de outros exames, como exames de imagem e, quando necessário, uma biópsia convencional. Só a partir daí o médico pode confirmar a doença e o seu estadiamento.

Também é importante destacar que um resultado negativo não elimina completamente a possibilidade de câncer no futuro. A doença pode estar presente sem produzir quantidade suficiente de material detectável no sangue. Por isso, o resultado não substitui consultas médicas.

O que os estudos mostram

As principais evidências sobre o Galleri vêm de estudos realizados nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.

O PATHFINDER, publicado em 2023 na revista The Lancet, avaliou 6.662 pessoas com 50 anos ou mais, sem sintomas de câncer, e mostrou que era possível utilizar o teste em um contexto de atendimento clínico, inclusive para investigar tumores que não contam com rastreamento de rotina.

A coleta é feita no Brasil, e a amostra segue para os Estados Unidos, onde é analisada no laboratório da GRAIL — Foto: GRAIL
A coleta é feita no Brasil, e a amostra segue para os Estados Unidos, onde é analisada no laboratório da GRAIL — Foto: GRAIL

Já o PATHFINDER 2, que reuniu 35.878 participantes e teve seus resultados publicados em setembro na Nature Medicine, apresentou especificidade de 99,6% e capacidade de indicar corretamente a provável origem do câncer em 91,3% dos casos.

A sensibilidade, porém, variou conforme o estágio da doença: foi de 21,4% nos tumores em estágio 1 e de 63,2% no estágio 4.

No conjunto dos mais de 50 tipos de câncer analisados, a sensibilidade foi de 39,3%. Na prática, isso significa que o Galleri pode encontrar alguns tumores antes dos sintomas, mas tem mais dificuldade para identificar determinadas doenças em seus estágios mais iniciais.

Outro estudo também publicado em setembro na Nature Medicine, o NHS-Galleri, acompanhou 142.250 pessoas no Reino Unido.

O trabalho não atingiu seu principal objetivo, que era demonstrar redução estatisticamente significativa na incidência combinada de cânceres nos estágios 3 e 4.

Mas, em contrapartida, demonstrou um aumento da detecção de tumores nos estágios 1 e 2, redução de 14% nos casos em estágio 4 e menos diagnósticos após atendimentos de emergência.

Esses resultados sugerem que o exame pode antecipar a identificação de alguns tumores, mesmo que ainda não permitem afirmar que seu uso reduz a mortalidade por câncer.

Deu em Galileu

Ricardo Rosado de Holanda
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