Em um levantamento de ancestralidade genética realizado com mais de 228 mil brasileiros, foi verificado que o país têm, em média, 3,73% de ancestralidade associada ao Magrebe, região do Norte da África que inclui países como Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia.
A análise realizada pelo laboratório Genera em 2025 também contou com o registro de ancestralidade de outros grupos dentro do DNA brasileiro, como europeus, africanos e ameríndios.
Herança por vias indiretas
Embora a herança genética venha do Magrebe, ela não está associada diretamente a uma migração de africanos do Norte ao Brasil. Na verdade, ela vem de outras heranças genéticas da Península Ibérica, região que passou quase oito séculos sob domínio de povos muçulmanos. Os traços marroquinos chegaram aqui por meio da colonização de portugueses e espanhóis.
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“Quando observamos o DNA dos brasileiros, encontramos registros de movimentos migratórios que muitas vezes não aparecem nos livros de história. A presença de componentes genéticos ligados ao Norte da África revela conexões construídas ao longo de séculos entre diferentes povos e regiões do mundo”, diz Ricardo di Lazzaro, médico doutor em Genética e fundador da Genera, em comunicado da empresa.
Foi entre os séculos 8 e 15 que muçulmanos expandiram seus territórios para a península ao cruzarem o Estreito de Gibraltar, estabelecendo o reino de Al-Andalus. A região se consagrou por ter sido um dos centros culturais e científicos mais relevantes da Idade Média.
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Construção genética de um povo miscigenado
O trabalho de investigação genética de um povo pode revelar muitas informações sobre a histórica e, especialmente, sobre interações e migrações que seus ancestrais realizaram.
A herança genética não necessariamente irá confirmar a origem das pessoas, mas sim códigos genéticos presentes em seu DNA, derivados de antepassados próximos e distantes.
Segundo o mesmo levantamento, a composição média do brasileiro é “formada por 76,71% de ancestralidade europeia, 9,44% africana, 5,93% ameríndia, 5,58% associada ao Oriente Médio e Magrebe e 2,34% asiática”. São dados que trazem à luz um passado um pouco mais incomum do que o encontrado em livros de história.

