Abandonada em shopping logo após nascer, mulher leva mais de 50 anos para desvendar o ‘mistério da sua vida’ - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Curiosidades 02/08/2026 19:14

Abandonada em shopping logo após nascer, mulher leva mais de 50 anos para desvendar o ‘mistério da sua vida’

Abandonada em shopping logo após nascer, mulher leva mais de 50 anos para desvendar o ‘mistério da sua vida’

Foram necessários mais de 50 anos para que Pearl Marshall desvendasse o “mistério da sua vida”.

Numa noite de agosto de 1972, as amigas Darlene Gilleland e Rita Marshall notaram algo estranho após sair de um cinema em Fairview Park (Ohio, EUA): um carrinho de compras estava encostado na frente do Ford Galaxie de Rita, com um saco de papel pardo no seu interior.

O saco começou a se mexer.

Darlene e Rita se assustaram, mas decidiram verificar o que havia dentro. E lá estava uma bebê com algumas horas de vida. Estava limpa, vestindo um macacãozinho e enrolada em um cobertor.

“Uma bebê adorável, a mais calma possível”, recordou Rita (sem parentesco com Pearl) em reportagem da “People”.

As duas amigas chamaram a polícia imediatamente. A bebê apelidada de “Bebê Westgate” em referência ao centro comercial onde foi encontrada foi levada às pressas para o hospital. Em menos de quatro meses, ela foi adotada. Sem que as perguntas óbvias tivessem respostas: De onde ela vinha? Por que foi abandonada? E por quem?

Mais de 50 anos depois, Pearl conseguiu algumas respostas. Durante a maior parte da vida, Pearl não conheceu suas origens. Criada em Cleveland, Pittsburgh e Washington, D.C., Pearl vivia numa espécie de “limbo”: pelas leis de Ohio, sua certidão de nascimento sob sigilo — inclusive para ela mesma —, pois sua adoção havia ocorrido por meio de um processo fechado em dezembro de 1972.

“Eu nem sequer cogitava tentar descobrir algo, porque achava que não haveria por onde começar”, contou ela.

Em 2015, o estado liberou o acesso aos registros de muitos adotados.

“Foi isso que me motivou a realmente fazer algo a respeito”, disse Pearl, que começou a rastrear suas raízes até chegar àquela noite no estacionamento.

Sua certidão de nascimento acabou sendo apenas a primeira pista de um processo que durou anos, culminando, apenas nas últimas semanas, na descoberta da verdade sobre seus pais biológicos — ambos ainda vivos.

Aos 53 anos, professora de música de 53 anos estabelecida em Salem (Virgínia, EUA) teve ajuda de uma historiadora, de pessoas que acompanharam o caso pelos jornais e até mesmo do filho de uma das mulheres que a encontraram.

Pearl sabia desde cedo que era adotada. Ela também sabia que, ao contrário de outros amigos adotados, a história sobre as suas origens era um mistério.

“Muitas vezes, eles (ou outros adotados) tinham uma ficha com informações sobre os seus pais biológicos. E eu não tinha nem isso”, declarou a americana.

Tudo começou a mudar quando Pearl estava na universidade. Sua mãe adotiva comentou acreditar que Pearl fosse a recém-nascida que havia estampado as manchetes no verão de 1972. Mas o passar dos anos esfriou a história.

Jornais de 1972 sobre uma bebê encontrada em shopping de Ohio — Foto: Reprodução
Jornais de 1972 sobre uma bebê encontrada em shopping de Ohio — Foto: Reprodução

A comprovação, porém, veio em 2023, quando Pearl finalmente obteve sua certidão de nascimento. Embora o documento não mencionasse os nomes de seus pais biológicos, trazia sua data de nascimento e um local de nascimento incomum: o shopping center Westgate.

Pearl e o marido, Jack Marshall, que ela chama de um “gênio na internet”, começaram a fuçar jornais da época. Não havia mais dúvida: sua mãe adotiva tinha razão o tempo todo.

No passo seguinte, Pearl entrou em contato com a historiadora amadora Chris Gerrett, de Fairview Park. Chris, de 72 anos, ficou maravilhada com a história e se dedicou a buscar as respostas.

Pais biológicos vivos

Tendo a certidão de nascimento de Pearl como guia, Chris pesquisou arquivos de jornais até descobrir os nomes das duas amigas que encontraram Pearl no Westgate. Ela conseguiu rastrear o paradeiro delas.

Munida de novas informações, Pearl recorreu a testes genéticos e localizou o seu pai biológico em 2023. Ele afirmou não saber quem era a mãe biológica dela. No verão passado, Pearl teve um reencontro emocionante em Ohio com Darlene e Rita — que tinham o hábito de rever antigas reportagens e se perguntar o que teria acontecido com a “Bebê Westgate”.

“O fato de ela nos encontrar foi como se nossa bebê voltasse para casa, trazendo um desfecho para a história”, comentou Rita, de 74 anos.

O reencontro virou notícia. Um leitor sugeriu, então, que Pearl entrasse em contato com “The Fronczak Files” — um podcast investigativo com uma equipe de pesquisadores — para tentar localizar sua mãe biológica por meio de genealogia genética, pesquisa histórica e outras técnicas.

Não demorou muito para que a história tivesse mais um capítulo. Pearl finalmente conheceu sua mãe biológica durante um almoço em junho e, segundo ela, “nenhuma de nós fazia ideia do que dizer”. Com a ajuda do marido, o gelo foi quebrado.

Pearl afirmou nunca ter guardado mágoa.

“Provavelmente foi a melhor coisa que já fiz por outra pessoa. Eu não achava que ela precisava de perdão, mas ela precisava… e ainda está lidando com isso.”

Por que Pearl foi abandonada?

Sua mãe biológica tinha 22 anos e era solteira quando deu à luz Pearl. Durante a gravidez, ela cantava canções de ninar para a filha todas as noites e, depois de deixar Pearl no carrinho de compras, ficou circulando de carro pelo local até que a bebê fosse encontrada.

Mais tarde, ela conseguiu um emprego no mesmo centro comercial e, todos os dias, estacionava na vaga onde havia deixado a filha.

“O que ela fez por mim foi algo bom. Ela sabia que não poderia ficar comigo, por mais que quisesse”, desabafou Pearl.

A mãe biológica se casou e criou uma filha e um filho — este último, Pearl já conheceu. Ela também conheceu uma meia-irmã por parte do pai biológico que, assim como ela, é professora de música. Coisas do destino.

“Ainda estou processando tudo isso. Há muitas emoções, e elas surgem em momentos diferentes. Claro que estou feliz. Estou encantada por conhecer meus pais biológicos. Tive muita sorte de tê-los vivos”, finalizou.

Deu em Extra
Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista