Mulheres 24/11/2021 10:27
Livro reúne mulheres que venceram o machismo e se tornaram grandes damas do samba
Mas, como a narração também é composta por curiosidades, as quase 400 páginas apuradas e escritas ao longo de três anos de pesquisa trazem ainda casos específicos vividos por cada uma delas.

Ao começar a conceber o livro “Canto de rainhas”, o jornalista e escritor Leonardo Bruno tinha um abecedário rodando em sua cabeça.
Mas o ABCDE, nesse caso, era composto por Alcione, Beth Carvalho, Clara Nunes, Dona Ivone Lara e Elza Soares. Se não conseguimos imaginar nosso alfabeto sem essas letras, a história do samba também não se completa sem todas essas damas da música popular brasileira.
— Além de serem cantoras que forjaram a nossa paixão pelo samba, elas têm em comum o fato de serem mulheres que conseguiram vencer em um lugar de muito machismo. Quando comecei a pesquisar, vi que esse livro não poderia simplesmente contar as histórias delas. Mas também colocar uma lente de aumento nessa superação de adversidades — destaca Leonardo, que lança a obra hoje, na Livraria da Travessa.
Esse olhar sobre o machismo que cantoras sofrem até hoje no samba ainda fez o autor ampliar o universo daquelas letrinhas. Além dos capítulos em que se dedica à trajetória de cada uma das cinco, ele aborda outras vozes de sucesso desde o século passado até cantoras que estão em plena atividade, incluindo mulheres da novíssima geração do samba.
Mas, como a narração também é composta por curiosidades, as quase 400 páginas apuradas e escritas ao longo de três anos de pesquisa trazem ainda casos específicos vividos por cada uma delas.
Dona Ivone Lara, por exemplo, nunca foi oficialmente da ala de compositores do Império Serrano. Elza Soares tem histórias fortes de violência física.
Ainda aos 7 anos, ela quase sofreu um estupro. No disco “No pagode”, de Beth Carvalho, de 1979, a ficha técnica tem 65 homens e o nome dela.
— A mulher só era aceita na posição de cantora. Porque era o único lugar em que ela não poderia ser substituída por um homem, por conta da voz feminina. Outro exemplo é que, em 1987, Alcione fundou a Mangueira do Amanhã (escola de samba mirim), tentou colocar mulheres tocando na bateria e foi vetada.
Uma mulher só é aceita numa bateria da Mangueira adulta em 2007, 20 anos depois.
Na escola, até diziam: “Do que adianta botarem as meninas para tocar, se quando elas crescerem, não poderão tocar com os adultos?” — destaca Leonardo, que abre o capítulo das novas rainhas com a cantora Teresa Cristina. É ela, inclusive, que escreve a orelha do livro: — Teresa é a perfeita sucessora.
As lives dela mostraram uma diferença muito grande das mulheres unidas, todas se elogiando, entendendo coletivamente que sofrem as mesmas barreiras.
Deu em Yahoo

Descrição Jornalista
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