20/05/2019 14:10
O mundo secreto dos médicos cubanos
Cuba é reconhecida há tempos pela sua "diplomacia médica", enviando milhares de profissionais de saúde para trabalhar em missões pelo mundo todo e recebendo, em troca, bilhões de dólares.

Cuba é reconhecida há tempos pela sua “diplomacia médica”, enviando milhares de profissionais de saúde para trabalhar em missões pelo mundo todo e recebendo, em troca, bilhões de dólares.
No Brasil, profissionais cubanos integraram o programa Mais Médicos de 2013 até o final de 2018, quando o presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito e disse que não aceitaria mais os termos do acordo negociado com o governo de Cuba durante a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
De acordo com uma pesquisa recente, alguns dos médicos enviados para missões em diferentes países dizem que as condições de trabalho podem ser um “pesadelo”.
A cubana Dayli Coro sempre quis ser médica. “Estudei por vocação. Costumava dormir entre três e quatro horas por dia de tanto estudar. Trabalhei muito no meu primeiro ano de prática. Pegava vários turnos extras”, conta.
Um relatório do Cuban Prisoners Defenders, baseado no depoimento inédito de 46 médicos que atuaram em missões internacionais e nos testemunhos públicos de outros 64 profissionais cubanos revela que:
– 89% não tinham conhecimento prévio de onde seriam alocados dentro do país de destino;
– 41% tiveram seus passaportes confiscados por uma autoridade cubana ao chegar ao país de destino;
– 91% disseram ter sido monitorados por agentes de segurança de Cuba durante a missão e pressionados a compartilhar informações sobre os colegas;
– 57% não se voluntariaram para aderir à missão, mas se sentiram obrigados a isso, enquanto 39% disseram que se sentiram fortemente pressionados a participar do programa internacional.
A BBC fez vários pedidos para que o governo cubano se manifestasse, mas não recebeu resposta. Mas, depois do relatório ser publicado, o presidente cubano Miguel Diaz-Canel tuitou: “Mais uma vez, o império mente para desacreditar os programas de cooperação de saúde com outros países, rotulando-os de ‘escravidão moderna’ e de práticas de ‘tráfico humano’. Eles não se conformam com exemplo e a solidariedade de Cuba.”
Deu na BBC

Descrição Jornalista
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