Em episódios históricos de saídas consideradas extremas, o principal índice da bolsa brasileira apresentou queda média de 11,3%. Esse número, porém, foi impactado por dois eventos atípicos: a crise financeira global e a pandemia de covid-19. Excluindo esses períodos, o recuo médio durante retiradas intensas ficou em 6,7%.
Para os estrategistas do J.P. Morgan, a diferença entre a queda atual de 5,65% e os recuos médios históricos reforça a percepção de que o índice permanece acima de um patamar considerado adequado frente ao tamanho do fluxo de saída.
Tendência de saldo negativo pode se prolongar
O cenário traçado pelo banco também sugere que a pressão vendedora dos estrangeiros não deve cessar tão cedo. A análise se debruçou sobre nove episódios anteriores de retiradas mensais classificadas como extremas. Em oito desses casos, os investidores internacionais mantiveram saldo negativo nos três meses subsequentes.
Primeiro trimestre havia sido de forte entrada de recursos
A debandada de agosto ganha contornos ainda mais relevantes quando comparada ao início do ano. No primeiro trimestre de 2026, a bolsa brasileira recebeu R$ 53,4 bilhões em recursos estrangeiros, volume superado apenas pelo registrado no primeiro trimestre de 2022. A inversão abrupta do fluxo acende um alerta sobre a sustentabilidade da valorização dos ativos brasileiros.
Eleições não explicam o movimento, segundo o banco
Apesar de o período pré-eleitoral ser tradicionalmente associado a maior volatilidade nos mercados, o J.P. Morgan afirma não encontrar uma relação consistente entre as eleições brasileiras e a movimentação dos investidores estrangeiros.
Nas quatro últimas eleições presidenciais, houve entrada de recursos tanto nos três meses anteriores quanto nos três meses posteriores ao pleito, com exceção de 2018.
Fatores externos pesam mais na decisão do investidor
O banco atribui maior peso a variáveis internacionais na explicação do fluxo de saída. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, e o comportamento do dólar são apontados como os principais determinantes.
A instituição também examinou a correlação entre os fluxos do EEM, fundo negociado em bolsa que acompanha mercados emergentes, e do EWZ, principal fundo de ações brasileiras listado em Nova York. Os dois ativos apresentaram comportamentos similares, reforçando a tese de que fatores globais estão no centro da decisão dos investidores internacionais.

