EXCLUSIVO: Fraude do Banco Master elevou o Risco Brasil mais que designação de facções como terroristas, diz estudo - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Economia 16/08/2026 11:10

EXCLUSIVO: Fraude do Banco Master elevou o Risco Brasil mais que designação de facções como terroristas, diz estudo

EXCLUSIVO: Fraude do Banco Master elevou o Risco Brasil mais que designação de facções como terroristas, diz estudo

O colapso do Banco Master custou mais caro à imagem do Brasil no exterior do que a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

É o que aponta um levantamento do IBEVAR e da FIA Business School, que cruzou 7.216 reportagens publicadas em 89 países e 465 veículos sobre os dois episódios.

Os dois casos tiveram volume de cobertura próximo, mas produziram efeitos opostos sobre a leitura internacional do Brasil, conforme o levantemento identificou.

A designação das facções foi majoritariamente enquadrada como pressão eleitoral de Washington. Já o escândalo do Master resultou em crítica direta às instituições brasileiras.

Bolsa e dólar reagiram ao escândalo do Master

Na semana em que as revelações sobre o banco ganharam repercussão internacional, a Bolsa de Valores de São Paulo caiu 3,71% e o dólar ultrapassou os R$ 5. O estudo associa o movimento à precificação de um Banco Central que demorou a agir e de um Supremo Tribunal Federal citado nas reportagens sobre o caso.

A designação terrorista não teve o mesmo reflexo direto sobre os ativos brasileiros, segundo o estudo. Assim, o mercado tratou os dois eventos como frentes de risco com pesos diferentes.

IndicadorDesignação PCC/CVBanco Master
Reportagens analisadas947751
Tom predominanteCondenação à designação, lida como pressão eleitoral82% críticas ou muito críticas às instituições
País líder de coberturaArgentina Argentina (121)Argentina Argentina (164)
Países favoráveis ao Brasil22 de 24 países mapeadosNão se aplica
Efeito sobre mercadoSem reflexo direto identificadoBolsa -3,71% | dólar acima de R$ 5

Elaboração: Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC | Fonte: IBEVAR & FIA Business School

Risco-Brasil ganha componente institucional

O IBEVAR descreve o risco-Brasil pós-2025 em três frentes. Uma é o risco fiscal e político, já conhecido dos investidores. Outra é o risco institucional e financeiro, agravado pelo caso Master. A terceira é o risco de contágio criminal, que o instituto classifica como subprecificado pela imprensa estrangeira.

Do total de reportagens internacionais sobre o Master, 82% foram críticas ou muito críticas às instituições brasileiras, aponta o levantamento. Argentina, Espanha e Cuba lideraram o volume de cobertura sobre o escândalo, segundo a contagem do instituto.

Designação de facções não pesou da mesma forma no risco-Brasil

Entre os 24 países com maior volume de cobertura, 22 defenderam a soberania brasileira diante da designação do PCC e do CV, mostra a pesquisa do IBEVAR. Bolívia e Honduras, países onde as facções operam como ameaça doméstica, ficaram entre as exceções.

Assim, o instituto conclui que o risco-Brasil ligado à designação terrorista ficou concentrado na dimensão diplomática, sem o mesmo efeito sobre o custo de financiar o país observado no caso do banco.

Cronologia do colapso acelerou com o caso Bolsonaro

O IBEVAR reconstituiu a cronologia do colapso a partir da cobertura internacional. Na segunda-feira (17), a Polícia Federal barrou o banqueiro Daniel Vorcaro em um jato em Guarulhos, quando o Banco Central já liquidava a instituição. Na quarta-feira (4), o STF mandou prender a antiga cúpula do banco.

Na sexta-feira (15), um áudio vazado ligando o caso a Flávio Bolsonaro produziu o pico de 43 reportagens em um único dia, segundo o levantamento. Na quinta-feira (18), a Polícia Federal mirou um aliado de Lula no Senado, no que o instituto registra como o maior volume diário de cobertura, com 57 reportagens.

Presidente do IBEVAR aponta custo de confiança

O efeito do escândalo sobre o risco-Brasil vai além da repercussão imediata dos fatos, diz Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School. Em suas palavras, “o custo não está na manchete sobre o crime. Está na confiança, e confiança, uma vez precificada como risco, não volta de graça”.

A imagem do Brasil no exterior depende do enquadramento dado a cada episódio pela imprensa internacional, acrescenta Felisoni. Segue a citação: “a imagem do Brasil não se mede pelo que acontece, e sim pelo tom com que o mundo julga cada choque”.

Deu em Times Brasil/CNBC

Ricardo Rosado de Holanda
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