Trânsito 16/08/2026 10:11
Motorista alcoolizado que causar morte pode ficar 10 anos sem CNH e pagar multa 50 vezes maior em projeto que avança na Câmara

Uma proposta que pode elevar significativamente as punições para quem dirige após consumir álcool avançou na Câmara dos Deputados.
A Comissão de Viação e Transportes aprovou, em 12 de agosto de 2026, parecer favorável ao projeto que modifica o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
O texto prevê suspensão do direito de dirigir por dez anos para o motorista alcoolizado responsável por acidente que resulte em morte.
A punição poderá incluir ainda multa equivalente a 50 vezes a penalidade prevista para esse tipo de situação.
A responsabilidade do condutor pelo acidente, porém, precisará ser comprovada para que as novas penalidades sejam aplicadas.
O Projeto de Lei 3.574/2024 foi apresentado originalmente pelo então deputado Gilvan Maximo, do Republicanos do Distrito Federal.
A proposta inicial previa uma penalidade financeira ainda mais elevada para acidentes com vítimas fatais.
O motorista poderia receber multa agravada em até 100 vezes, além de permanecer dez anos sem o direito de dirigir.
O relator Marcos Tavares, do PDT do Rio de Janeiro, apresentou posteriormente um substitutivo ao projeto.
A nova versão reduziu a multa para 50 vezes o valor da penalidade, enquanto manteve os dez anos de suspensão da habilitação.
Os acidentes que provocarem invalidez permanente também estão contemplados pelo endurecimento das regras.
O texto estabelece, nesse caso, uma multa equivalente a 20 vezes a penalidade prevista.
A suspensão do direito de dirigir poderá chegar a cinco anos.
As penalidades dependerão da comprovação da responsabilidade do condutor pelo sinistro.
O motorista também deverá ter se envolvido em uma ocorrência dentro das circunstâncias estabelecidas pelo projeto.
A aprovação na Comissão de Viação e Transportes representa somente uma etapa da tramitação.
As novas punições, portanto, ainda não fazem parte das regras atualmente em vigor no trânsito brasileiro.
A matéria deverá seguir para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados.
O projeto ainda precisará avançar pelo Congresso antes de qualquer mudança entrar efetivamente em vigor.
A transformação da proposta em lei depende da aprovação nas etapas legislativas previstas na Câmara e no Senado.
O avanço da proposta ocorre enquanto números sobre álcool e direção mostram que o problema continua provocando consequências graves no país.
Dados do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) apontam redução de 19,5% na taxa de mortes relacionadas ao álcool no trânsito entre 2010 e 2024.
O ritmo dessa queda, contudo, perdeu força nos últimos anos.
O Brasil contabilizou 13.075 mortes associadas à combinação entre bebida alcoólica e direção em 2024.
O resultado representou crescimento de 6,2% em comparação com 2023.
O levantamento com esses dados foi divulgado pelo CISA em junho de 2026.
A Lei Seca foi criada em 2008 e estabeleceu tolerância zero para motoristas que conduzem veículos depois de consumir bebidas alcoólicas.
A redução registrada desde 2010 considera a taxa de mortes atribuíveis ao álcool no trânsito por 100 mil habitantes.
Os números mais recentes do CISA mostram, entretanto, uma desaceleração desse avanço.
As consequências mais graves relacionadas à combinação entre bebida alcoólica e direção também voltaram a apresentar crescimento.

Os registros hospitalares reforçam a dimensão dos impactos associados ao problema.
O Brasil contabilizou 102.440 internações relacionadas a esses eventos durante 2025.
O número ficou 1,9% acima do registrado no ano anterior.
A discussão do PL 3.574/2024 avança, assim, em um cenário de aumento recente nas mortes e internações relacionadas ao álcool no trânsito.
A proposta pretende elevar justamente as consequências administrativas para motoristas responsabilizados pelos casos mais graves.
O próximo avanço dependerá da continuidade da tramitação da proposta no Congresso.
A suspensão de dez anos da CNH e a multa 50 vezes maior não estão valendo atualmente, já que o projeto ainda não virou lei.
O debate passa agora pela análise das próximas etapas legislativas antes de uma eventual alteração do Código de Trânsito Brasileiro.
A proposta coloca novamente em evidência a discussão sobre álcool ao volante, acidentes fatais, suspensão da CNH e punições mais severas no trânsito brasileiro.
Você considera que dez anos sem dirigir e uma multa 50 vezes maior são punições adequadas para motoristas alcoolizados responsáveis por acidentes com morte? Deixe sua opinião.

Descrição Jornalista
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