O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP, à direita na foto), esteve na casa do ministro e próximo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes (à esquerda na foto) na noite de terça-feira, 4.
Questionado sobre o que foi discutido no encontro, que também contou com a presença do presidente da República, Lula, e do ministro do STF Cristiano Zanin, ele respondeu: “Segredo”.
Nenhum dos quatro sinalizou o jantar em suas agendas oficiais
Diante do silêncio de todos, restam apenas as especulações, e as possibilidades que rondam esse encontro de titãs da Repúblicas são todas ruins, mas algumas bem piores que as outras.
Alcolumbre e Lula estavam rompidos desde que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para o STF, no fim de abril, e isso travou a eleitoreira pauta do fim da escala 6×1 após aprovação a jato na Câmara dos Deputados. O entendimento sobre esse assunto seria a hipótese menos grave e mais prosaica para a reaproximação entre Lula e Alcolumbre neste momento.
O mais problemático
Bem mais problemático seria que os três tivessem se encontrado para tratar das três investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o famigerado Lulinha, como se especulou quando Lula convidou Moraes para “tomar um cafezinho” durante evento no Palácio do Planalto.
Dias depois, um dos três inquéritos sobre suspeitas de tráfico de influência foi parar na mão de Flávio Dino, ex-ministro da Justiça do petista, enquanto os outros dois são relatados por André Mendonça, que cuida do caso do escândalo do INSS, de onde partiram todas as investigações.
A terceira e pior hipótese para o convescote secreto tem relação com a escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Impeachment de ministro do STF
Ao deixar a corrida ao Senado em Alagoas, Gaspar facilita o caminho do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) para se eleger senador e disputar a presidência do Senado em 2027.
Alcolumbre não precisa disputar a eleição deste ano, porque se elegeu em 2022, mas já deixou claro que pretende se reeleger presidente do Senado na próxima legislatura.
É aí que entra — e não deveria ter entrado — Moraes na história.
O próximo Senado é tido pelos bolsonaristas como aquele que abrirá o primeiro processo de impeachment de um ministro do STF, e Moraes é o primeiro nessa fila.
A campanha ao Senado neste ano girará em torno disso, como Crusoé já alertava desde o ano passado. Na Sabatina de O Antagonista e G4, que deu início à campanha deste ano, na terça, Flávio disse que a inércia do Senado levou à “situação de um ministro do Supremo tomar medidas completamente inconstitucionais e ilegais”, mencionando Moraes.
Degradação
Não bastasse, o relator do julgamento da trama golpista já se intrometeu indevidamente na eleição deste ano, ao mencionar de forma gratuita potenciais consequências eleitorais para a campanha de Flávio por causa da exibição de um vídeo de IA de Jair Bolsonaro.
Nesse contexto, o encontro secreto entre o presidente da República, o presidente do Senado e o próximo presidente do STF é o resumo perfeito da degradação institucional do Brasil.

